9 de junho de 2014

Em greve a 19 dias, Professores de São Luís realizam 2ª Caminhada em Defesa da Educação Pública

Professores em greve a 19 dias
Os professores e professoras de São Luís decidiram continuidade a greve na Rede Municipal de Ensino. E hoje (9) realizaram a 2ª Marcha em Defesa da Educação Pública.

Centenas de educadores e educadoras saíram às ruas de São Luís em protesto contra as péssimas condições das escolas públicas no Município e ao mesmo tempo contra a falta de diálogo da prefeitura com a categoria em greve há 19 dias.

Os trabalhadores concentraram-se inicialmente em frente à UEB Alberto Pinheiro, Centro da Capital, e saíram em seguida em longa caminhada pelas principais ruas do centro histórico da cidade até chegar à Sede do Palácio dos Leões, Sede da Prefeitura.

Acompanhados de um carro de som os professores e professoras revezaram-se centrando as falas nas condições em que se encontram as escolas e na falta de capacidade para o diálogo do prefeito Edivaldo. “Parece que o poder público não quer mesmo negociar com os trabalhadores, pois já estamos entrando na 3ª semana da greve e até agora sequer fomos contatados. Nenhum sinal. Isso revolta.”, disse a professora da Rede, Maria José.

Outro que manifestou preocupação com a forma infantil como tem conduzido o tratamento aos professores foi o professor de História Carlos Campelo que enfatizou a necessidade do prefeito Edivaldo Holanda Jr em buscar a proximidade com o movimento grevista. “Tem que negociar senão a greve não acaba. Até o momento, após o início do movimento a prefeitura ainda não chamou a direção do SINDEDUCAÇÃO e o Comando de Greve para negociar para tentar resolver esse impasse.”, destaca o Professor Carlos Campelo.

Defesa jurídica dos trabalhadores

O Advogado do SINDEDUCAÇÃO, Dr. Antônio Carlos Araújo destacou que o Sindicato ajuizou recurso hoje (9) junto ao Tribunal de Justiça do Maranhão reforçando a defesa dos trabalhadores contra a decisão intempestiva tomada pela Justiça quando decretou a ilegalidade da greve e garantindo os direitos básicos dos profissionais da educação em greve.

“Greve continua. Ninguém deve voltar para a sala de aula até que o nosso recurso seja apreciado. O município não pode executar sentença alguma até que o recurso apresentado pelo SINDEDUCAÇÃO seja apreciado.”, esclareceu Antônio Carlos.

O Advogado do Sindicato disse também que amanhã (10) o Desembargador Antônio Guerreiro Jr, deve receber a assessoria do SINDEDUCAÇÃO para pessoalmente ouvir os motivos pelos quais levou o sindicato a dar entrada em recurso para suspender a liminar que decretou a ilegalidade da greve. “Temos argumentos fortes e reais para apresentar à justiça e reverter a situação em favor dos trabalhadores., declarou o Advogado.

A Presidente do SINDEDUCAÇÃO, Elizabeth Castelo Branco, disse que “os trabalhadores tem nesse momento da Greve o compromisso de sensibilizar a categoria de professores demonstrando que a unidade é que faz a força. Vamos centrar fogo na mobilização cada vez mais intensa da categoria. E faremos isso intensificando nossa agenda da greve com Blitz nas escolas que ainda insistem em manter atividades funcionando, mesmo que precariamente. A greve continua até termos propostas da prefeitura para podermos avaliar a decidir.”.

7 de junho de 2014

Morre o ex-Presidente do SINTEMA, Genésio Abreu

Genésio fala durante assembleia do Sintema.
O Blog lamenta o falecimento do ex-Presidente do SINTEMA Genésio Abreu Pereira na noite da última quinta-feira (06), em São Luís.

Genésio era funcionário da Universidade Federal do Maranhão e foi sócio fundador do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFMA do qual foi dirigente por diversos mandatos e Presidente por duas vezes.

Genésio era militante dedicado à causa dos trabalhadores doando parte de sua vida ao movimento sindical brasileiro.

A notícia chegou num momento onde os técnicos administrativos do Brasil estão em greve a mais de dois meses, deixando a categoria consternada.

O corpo foi velado por amigos e familiares durante a noite de ontem e todo o dia na Pax União, Centro de São Luís.

Genésio foi enterrado às 16:00 no Cemitério Jardim da Paz, estrada de Ribamar.

O Blog envia sentimentos de pesar à família.

PCdoB reúne-se para deliberar sobre apoio à reeleição de Dilma

Reunião do CC
Começou nesta sexta-feira (6) à noite e estende-se até o domingo (8), a terceira reunião plenária do Comitê Central do PCdoB. As deliberações, sobre o quadro político e a luta eleitoral de outubro deste ano serão remetidas à Convenção Nacional Eleitoral que se realizará em Brasília em 27 de junho.

No informe apresentado no início da reunião, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, reafirmou a avaliação dos comunistas de que grandes realizações foram empreendidas no período entre 2003 e 2014, nos governos de Lula e Dilma. Partidários da candidatura à reeleição da atual mandatária, os comunistas manifestam a convicção de que nos próximos quatro anos o País poderá superar velhos obstáculos e ingressar numa nova etapa de desenvolvimento, com a realização de mais mudanças e das reformas estruturais democráticas.

Rabelo destacou que quanto mais se aproximam as eleições de outubro, mais nítida se revela a encruzilhada política na qual se encontra o País – seguir a passos rápidos, avançando com mais mudanças e preservando as conquistas dos últimos 11 anos, ou retroceder na hipótese de vitória da oposição conservadora e neoliberal.

Na opinião dos comunistas, a oligarquia financeira e o campo mais conservador das classes dominantes tendem a se unir em torno da candidatura do tucano Aécio Neves, restando à dupla Eduardo Campos – Marina Silva papel coadjuvante.

A direção nacional do PCdoB afirma que está convicta da quarta vitória do povo e considera que a campanha pela reeleição da presidenta Dilma deve ser uma grande mobilização nacional que contribua para a formação de uma nova maioria política e social no País em torno de um programa avançado.

Na primeira sessão de trabalho da terceira reunião do Comitê Central do PCdoB, o ex-deputado Aldo Arantes apresentou um informe sobre a reforma política, destacando a emergência da luta por uma reforma política democrática.

Os membros do Comitê Central receberam dossiês sobre os encontros de Organização e Comunicação recentemente realizados.

Fonte: Redação do Portal Vermelho

6 de junho de 2014

Após trabalho reconhecido à frente do SINPROESEMMA, Julio Pinheiro é candidato a Deputado Estadual

Evento foi prestigiadpo por  um batalhão de apoiadores
Cerca de 300 educadores participaram do ato de desincompatibilização do professor Julio Pinheiro da presidência do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma), ocorrido na noite desta quinta-feira (5), no auditório do hotel Abeville, em São Luís.

Cumprindo a legislação eleitoral, o professor pediu licença da entidade para ser pré-candidato a deputado estadual, nas eleições deste ano.O pre-candidato a governador do Maranhão, professor Flávio Dino, também participou da cerimônia, e disse que a pré-candidatura de Julio Pinheiro é importante porque é fruto da sua história de luta. “Júlio Pinheiro tem a possibilidade de fazer a soma da luta sindical com a luta na sua comunidade, levando em conta sua origem na Baixada Maranhense. É uma pessoa de bem, exemplar. Manso, sereno, porém firme nas suas posições, o que fortalece nosso campo político para as mudanças que o Maranhão precisa”

“É uma tarefa importante, que tenho orgulho extremo, pois sempre tive inquietudes com as injustiças sociais. Por isso sou pré-candidato, pensando em poder, futuramente, ajudar o Flávio e o povo do Maranhão”, sintetiza Julio Pinheiro, justificando sua decisão de aceitar o desafio colocado pela base da educação para ele fosse representante da área educacional no Legislativo.

Plataforma da educação

Na ocasião, o presidente licenciado do Sinproesemma, Julio Pinheiro, entregou ao professor Flávio Dino, um documento construído pelos trabalhadores, com a pauta de necessidades que os educadores consideram fundamental para melhorar a educação do estado, que está sempre em posições ruins, no cenário nacional.

Apoio

Cerca de 70% das regionais do Sinproesemma estavam representadas no conjunto de educadores que participou da cerimônia de licença do professor Julio Pinheiro. Além de Flávio Dino e Julio, compuseram a mesa, o deputado estadual, Rubens Junior; o vereador e professor de Imperatriz Carlos Hermes; o coordenador da regional de Imperatriz, Andrés Santos; a coordenadora da regional de Bacabal, Marilene Gaioso; a coordenadora de Barreirinhas, Leonilde Chaves; e o coordenador do núcleo do Sinproesemma de Arame, Ronaldo Fé, representando os mais de 120 núcleos do sindicato no Maranhão.

Todos falaram da importância da pré-candidatura de Julio Pinheiro e foram unânimes em lembrar que é um projeto coletivo, que nasce da necessidade de uma representação dos trabalhadores na Assembleia Legislativa e que o professor é a pessoa certa para essa missão em decorrência da sua trajetória de vida e de luta.

“Sem o empenho do Julio, os educadores não teriam conquistado tantas vitórias como o Estatuto do Educador, quando ele liderou duas greves, cobrando do governo a aprovação.

Lembro também quando ele paralisou, junto com os educadores, a Assembleia Legislativa, em 2013, para evitar que a governadora cortasse recursos da educação. Por isso que essa luta dele deve continuar, ganhando novas proporções”, defendeu o deputado Rubens Junior, que é pré-candidato a deputado federal e deu grande contribuição na luta dos educadores, como deputado estadual.

Ataques aos professores e ao PCdoB são feitos de maneira distorcida com velhos chavões 'direitóides'

Uma coisa intrigante vem ocorrendo na greve da educação em São Luís do Maranhão.

Enquanto a prefeitura tem jurado de pés juntos que a proposta apresentada para reajustar os salários dos professores e professoras é de 8,32%, vereadores confirmam ao Blog que a mensagem que chegou à Câmara com a proposta de reajuste é de inacreditáveis 3%.
Imprensa híbrida: intencionalidade para o mal
Por conta da movimentação da Vereadora Rose Sales com o apoio das Promotorias da Educação e da Probidade Pública, a prefeitura abriu os olhos e a mensagem teria sido devolvida, ou melhor solicitada de volta, pelo executivo.

Não se sabe se houve erro ou foi 'mumunha'. De qualquer forma até o momento não deu certo a tentativa de votar a mensagem na Câmara na próxima 2ª feira (9).

O Ministério Público tem convicção de que os dados apresentados pelos sindicalistas estão corretos e não batem com os números da equipe econômica da gestão municipal.

Distorção

A imprensa híbrida espalha por aí o velho chavão da intriga 'afirmando' aos quatro ventos que quem está errado são os professores ou mesmo que é o PCdoB que está inflamando uma inexistente rebelião na prefeitura.

A intencionalidade dos apocalípticos blogueiros ‘sarneístas’ em queimar o PCdoB, partido que lidera a coalizão de forças que deve pôr fim à dinastia Sarney no Maranhão, é visível e a decadência da argumentação deles já define o que há de novo nessa fronteira. (Ou seria de velho?).

A forma desastrosa com que ‘assessores’ da mídia híbrida tem orientado Edivaldo Holanda Jr a manter-se distante dos trabalhadores tem feito estragos à imagem do próprio prefeito, que tem sim todas as possibilidades de dar a volta por cima.

E fazem isso de forma a induzir o prefeito à ideia de que estariam assim ‘ajudando’ a gestão quando na verdade a intenção é detonar tudo de qualquer forma, tipo 'blitzkrieg'.

Professores mantém greve
Compromisso popular

A vereadora Rose Sales e o vereador Professor Lisboa tem acompanhado de perto o debate da greve na Rede Municipal de ensino de São Luís pelas ligações com a classe. Rose é pedagoga e Lisboa é professor, e de forma muito correta os dois tem se posicionado em nome do diálogo e da boa relação entre poder público e trabalhadores.

Os parlamentares deixam claro simplesmente que é necessário o prefeito receber os trabalhadores e defendem isso de forma muito tranquila e com responsabilidade.

Mas o que a imprensa híbrida faz? Distorce o posicionamento dos parlamentares e tenta jogar o prefeito contra o PCdoB.

Edivaldo, embora jovem, é experiente nas lidas políticas, não é bobo e sabe do jogo de intrigas que tenta fazer o grupo Sarney para evitar a derrota fragorosa nas urnas em outubro de 2014.

Mais intrigas virão e cada vez mais fortes. Mas a liga forte que mantém unida a coalizão de forças e que tem firmado a posição uníssona entre os grupos de oposição tem deixado muita gente que atua a serviço da desgraça do povo do Maranhão não aceita de forma alguma a situação, nem que para isso mantenham-se sempre na linha de ataque à democracia.

Se depender da ‘divisão’ e da ‘intimidação’, o povo vai vencer com responsabilidade, convicção e coerência.

5 de junho de 2014

A resposta dos professores ao prefeito é: "Exigimos respeito. A greve continua."

Professoras e professores respondem ao Prefeito
Em resposta aos ataques da prefeitura feito por meio de setores da mídia ‘híbrida’ local que insiste em atacar os trabalhadores em educação em greve há 16 dias em São Luís centenas de professores compareceram à Sede do SINDEDUCAÇÃO para ser solidários à direção do Sindicato e reafirmar que a greve continua.

Liderada pela Presidente do Sindicato e o Comando de Greve a reunião serviu para que os professores atualizassem a agenda, tomassem conhecimento das ações do sindicato e ainda checassem as informações sobre a reunião que aconteceu ontem na Câmara Municipal de São Luís com a presença da equipe econômica da prefeitura e a Secretaria de Educação.
Indignação

Os professores estão cada vez mais unidos e ainda mais indignados com a postura estreita da prefeitura em tentar desconstruir de maneira irresponsável o movimento legítimo dos trabalhadores em educação do município.

Sede do SINDEDUCAÇÃO ficou lotada
Os professores denunciam a tentativa até de certa forma criminosa de tentar silenciar e até mesmo sufocar a greve e ao mesmo tempo jogar a sociedade contra os grevistas. “Não vamos aceitar isso, pois essa é uma ação proposital do poder público contra Servidores públicos.”., disseram os professores.

A manobra do poder público embora muito forte não surte na prática o efeito desejado pela prefeitura e os professores como se vê nas imagens tiradas agora a pouco na reunião na Sede do Sindicato na COHAB revelam a verdade da mobilização.

Categoria aplaude decisão de manter a greve  
Centenas de trabalhadores unificaram a luta para intensificar os protestos na cidade até o prefeito sentar com a categoria para resolver o impasse da greve.

“Exigimos respeito com os 5.712 professores e professoras da Rede municipal. Não adianta acionar seus cães de guarda para tentar intimidar a categoria, pois estamos unidos e mais fortes. Queremos o diálogo e temos convicção dos nossos direitos.”, disse a Presidente do SINDEDUCAÇÃO, Elizabeth Castelo Branco.

A palavra de ordem da categoria é: ‘A greve continua’.

Julio Pinheiro pede licença do Sinproesemma para ser pré-candidato a deputado estadual

Júlio Pinheiro e Flávio Dino: unidos pelo Maranhão
Em sua segunda gestão como presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma), o professor Julio Pinheiro, cumprindo a legislação eleitoral, pede licença da entidade para ser pré-candidato a deputado estadual. A desincompatibilização será formalizada em cerimônia, nesta quinta-feira (5), às 18h, no Hotel Abeville, na Avenida Marechal Castelo Branco, Bairro São Francisco, em São Luís.

Na ocasião, será apresentada a plataforma da educação, documento que foi construído pelos educadores, em assembleias regionais, realizadas em maio deste ano, com uma extensa pauta que a categoria defende como fundamental para alcançar a qualidade na educação pública do Maranhão.

“Recebi a missão dos educadores de enfrentar esse grande desafio que é disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, levando para o Parlamento a luta dos trabalhadores pela qualidade na educação pública do Maranhão, e consequentemente pela qualidade de vida das pessoas que vivem nesse estado, que é rico, tem potencialidades, mas precisa de um novo projeto político que possibilite o seu desenvolvimento social e econômico”, ressalta Julio Pinheiro.

No Sinproesemma, há cerca de nove anos, o professor esteve sempre à frente das principais lutas do sindicato por melhorias na educação e pela carreira dos trabalhadores – professores e funcionários. Nessa luta em defesa da escola pública e com o objetivo de estabelecer um novo pacto pela educação, a entidade desenvolveu grandes ações, com diversas agendas de cobranças, tanto ao governo do Estado quanto ao Legislativo.

Junto com a categoria, o sindicato lutou arduamente para fazer valer os interesses dos trabalhadores da educação e por uma escola digna e de qualidade, com base em direitos garantidos na legislação, como a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei do Piso, Constituição Federal, Estatuto do Magistério e, recentemente, o Estatuto do Educador.
Uma caminhada difícil, lutando contra forças contrárias, na qual foi necessário o apoio da sociedade e de parlamentares do campo popular e democrático.
Muitas vitórias foram alcançadas como frutos dessa luta, como o Estatuto do Educador, em 2013, lei que garante direitos e resgata dívidas históricas do Estado com a educação. Nos últimos cinco anos, os professores conquistaram mais de dez mil promoções, mais de 11 mil titulações e quase seis mil progressões para professores que estavam há 20 anos sem o direito, obrigados a ficar em sala de aula, muitos até doentes, mas impossibilitados de pedir suas aposentadorias, para não ter prejuízos nos salários.

Outros grandes frutos foram colhidos, como a data-base, com reajuste igual para todos, e foram asseguradas gratificações e eleição direta para diretor de escola, direitos que ainda precisam ser regulamentados.

Mas, segundo Julio Pinheiro, a luta só começou. Para alcançar a meta da qualidade é preciso ainda muitos avanços. Por isso, o Sinproesemma defende escolas de tempo integral, para todas as regiões do estado, novo concurso público e nomeação dos professores excedentes do último concurso, implantação de 1/3 da jornada para atividades extraclasse, regulamentação das gratificações de risco, de difícil acesso e da educação especial.

Os educadores e o Sinproesemma entendem que, para avançar mais, vale continuar a luta das ruas e no campo institucional. “Por isso, o Parlamento precisa ser almejado pelos educadores. E esse consenso coletivo resultou na indicação do nome do professor Julio Pinheiro, presidente do Sinproesemma, como pré-candidato a deputado estadual, na disputa das eleições 2014. Uma pré-candidatura definida como projeto de porta-voz da educação, com a responsabilidade de levar para o centro dos debates e das decisões a pauta da educação pública”, destaca o secretário de Formação Sindical do Sinproesemma, Williandickson Garcia.

Nesta entrevista especial, o professor Julio Pinheiro fala da decisão pela pré-candidatura e da importância de dar continuidade à luta da educação no Legislativo.

1. Professor, como o senhor avalia essa tarefa que lhe foi confiada?

Julio Pinheiro – Como um grande desafio. Não entendemos um mandato legislativo como um projeto individual, mas sim um projeto coletivo, de grande responsabilidade, que é levar a voz da educação para esse fórum de debate tão importante para a sociedade.

2. Diante da sua grande experiência de militância na educação, como o senhor avalia o ensino público em nosso estado?

Julio Pinheiro - A educação não é uma questão apenas dos trabalhadores, mas de toda a sociedade, pois a educação de qualidade reflete positivamente em todas as áreas: economia, saúde, meio ambiente, segurança pública, enfim, na qualidade de vida das pessoas. Não é isso que vemos no nosso estado. Aqui a educação vive há décadas em situação de precariedade, de descaso total. No Maranhão temos professores que ganham um salário mínimo. Não recebem nem mesmo o piso garantido por lei e tem alunos que deixam de frequentar aulas porque a escola ofertada é galpão de meninos. Temos escolas, onde os professores tiram de seus bolsos coleta para ajudar na merenda escolar e alunos que deixam de frequentar a escola porque não tem transporte escolar ou a merenda só chega para metade do mês. Por tudo isso, os índices educacionais no estado são os piores do Brasil. Essa realidade precisa mudar.

3. Como fruto de uma grande luta, os trabalhadores conquistaram o Estatuto do Educador. Mas não é só isso, o que falta, professor?

Julio Pinheiro – O Estado precisa cumprir integralmente o acordo que resultou na aprovação do Estatuto e os direitos assegurados na lei. As gratificações precisam ser imediatamente regulamentadas – difícil acesso, risco e educação especial. A gratificação de 30% que conquistamos para os funcionários, que passam por profissionalização no curso Profuncionário, precisa ser estendida a todos. Os funcionários do Colégio Cintra, por exemplo, ficaram de fora. O Estado precisa pagar.

4.Também houve uma grande conquista que é a data-base e a eleição direta para diretor de escola, como o senhor avalia isso?

Julio Pinheiro – A Lei do Piso garante o reajuste para os professores dos níveis iniciais, mas o Sinproesemma precisava garantir o reajuste para todos, de forma linear. Foi o que fizemos. Hoje, a data-base é 1º de janeiro e o reajuste do piso vai para todos os professores – o Estado é obrigado a cumprir.

A conquista da educação de qualidade passa também pela democracia no ambiente escolar. Precisamos de gestores que estejam afinados com a meta da qualidade e que saiba ouvir todos os personagens da comunidade escolar: professores, funcionários, alunos, pais e mães. Por isso, quem deve escolher o gestor é a comunidade. Mas o Estado precisa regulamentar a lei, definindo a formação para os gestores, uma tarefa que ficou sob a responsabilidade do governo. Somente educadores com a formação específica na área poderão concorrer ao cargo. Mas é, sem dúvida, um grande avanço.

5.O Sinproesemma realizou assembleias regionais para construir a plataforma da educação. Uma carta-proposta que será apresentada aos pré-candidatos ao governo do Maranhão. Quais são os principais pontos dessa plataforma?

Julio Pinheiro - São diversos itens, que no nosso entendimento, são necessários para chegarmos a nossa meta de qualidade. O Plano Estadual de Educação tem que ser implementado. A educação precisa de um norte, ter investimentos e o Estado precisa cumprir metas.

É preciso um novo pacto pela educação, que tire o Maranhão dos índices do atraso, de ficar sempre em último lugar em tudo: em pobreza, em analfabetismo, em evasão escolar, em piores escolas, pior nota do Enem... Além disso, tem as questões do Estatuto, que precisa ser cumprido. O concurso público deve ser feito imediatamente para acabar com déficit de professores na rede estadual e com a precariedade nas condições de trabalho nas escolas.

6.O senhor percorreu o estado no Movimento Diálogos pelo Maranhão, com Flávio Dino, e fez muitas visitas a diversas regiões, nos últimos dois anos. Que diagnóstico o senhor faz a educação em nosso estado?

Julio Pinheiro - Total ausência do poder público. A realidade dos municípios é difícil. Encontramos famílias destroçadas vendo seus filhos indo buscar outros caminhos - como o trabalho pesado em outros estados, por exemplo - por falta de oportunidades. Encontramos muitos municípios sem escolas de ensino médio, como em Boa Vista do Gurupi, e outros, com apenas uma escola e vários anexos, como em Turiaçu, onde os alunos disputam espaço em salas de aula superlotadas. Outros casos, como em Santa Luzia do Paruá, onde os alunos estudam em espaços cedidos pelo município. O Estado precisa construir escolas.

8.Existe recurso federal para transporte escolar e previsão de orçamento do Estado para a área. Por que o transporte é precário e em muitas áreas nem mesmo existe?

Julio Pinheiro - Porque não há comprometimento do poder público com as condições dignas de vida dos alunos. Negar o transporte ou transportar alunos em pau de arara é uma irresponsabilidade, como aconteceu no município de Bacuri, onde oito adolescentes morreram. Os responsáveis devem ser punidos com severidade. É preciso respeito com a educação pública. Deixar alunos caminharem em areia quente vários quilômetros a pé é uma crueldade, como acontece nas cidades da região de areias, no Norte do Maranhão. Isso precisa mudar.

9.O senhor se licencia do Sinproesemma, a partir do dia cinco de junho. Faça uma avaliação das suas duas gestões frente ao maior sindicato de trabalhadores do Maranhão e diga quais são as suas perspectivas?

Julio Pinheiro - Com essa licença, inicio uma nova etapa de luta, com o sentimento de que contribui junto com a direção do sindicato e a nossa base pela educação de qualidade, inclusiva e referenciada. Que cumpri meu dever como representante dos educadores, de unir a categoria, mesmo nas adversidades. De mobilizar para as batalhas, de dialogar e de negociar no campo institucional a pauta da educação.

Ainda não conseguimos tudo que precisamos para atingir nosso objetivo, mas avançamos bastante, cobramos, nos deparamos com inúmeros obstáculos, conseguimos vencer a maioria, mas a luta deve continuar, firme, com propósito e sempre com a possibilidade do diálogo, porque é assim que se constrói a democracia de verdade e se conquista direitos; pressionando, quando for preciso, e buscando sempre o diálogo.

Minha responsabilidade com a educação continua, só fui designado a buscar outro espaço para dar continuidade a essa luta, a ser o porta-voz de uma categoria e de uma comunidade que grita por justiça social, igualdade e condições dignas de vida. Deixo aqui um grande abraço a todos os trabalhadores da educação e dizer que estamos juntos nesse projeto pela educação pública de qualidade, sempre!

Desejo boa sorte e muita paz nessa caminhada, que não é só minha, mas de todos nós educadores e educadoras do Maranhão.