24 de dezembro de 2010

Feliz Natal para todos e que em 2011 tenhamos mais paz, saúde, trabalho e amor para todos. Ho Ho Ho



Pessoal, estou em BH, Minas Gerais, com a família inteira.
Quero dar um imenso beijo no coração de todos e todas que sempre prestigiam o Blog e a todos da Rede.
Nos encontraremos por aqui em 2011.
Feliz Natal e próspero ano novo com saúde, paz, amor e trabalho para todos!
HO, Ho, Ho!!!!!!!

Abaixo, homenagem do poeta maranhense Ferreira Gullar sobre o ano novo:


ANO NOVO

Meia-noite. Fim
de um ano, início
de outro. Olho o céu:
nenhum indício.

Olho o céu:
o abismo vence o
olhar. O mesmo
espantoso silêncio
da Via-Láctea feito
um ectoplasma
sobre a minha cabeça
nada ali indica
que um ano novo começa.

E não começa
nem no céu nem no chão
do planeta:
começa no coração.

Começa como a esperança
de vida melhor
que entre os astros
não se escuta
nem se vê
nem pode haver:
que isso é coisa de homem
esse bicho
estelar
que sonha
(e luta).

Ferreira Gullar

Do livro: Barulhos, José Olympio, 1987, RJ
Enviado por Vasco Cavalcante

18 de dezembro de 2010

Chacina da Lapa: 30 anos depois, o Brasil venceu o terror e reafirmou a luta democrática

Reproduzo artigo dos Dirigentes Comunistas Aldo Arantes e Haroldo Lima escrito por ocasião dos 30 anos da Chacina da Lapa, episódio trágico envolvendo o assassinato frio de dirigentes do PCdoB durante a ditadura militar.

Aldo e Haroldo eram membros do Comitê Central do Partido e à época estavam presos, passando por terríveis sessões de tortura.

Boa leitura!


Corpos de dirigentes assassinados. As armas foram plantadas pelos policiais assassinos







A chacina da lapa e a luta democrática*

Por Aldo Arantes e Haroldo Lima

Foi destacada a atividade do Partido Comunista do Brasil na luta pela reconquista da democracia em nosso país. Enfrentou a ditadura desde sua implantação, esteve, junto ao povo, na linha de frente de batalhas cruentas, participou na organização da resistência demorada e na elaboração das diretrizes ajustadas às fases da luta. Quando a gente brasileira conseguiu por fim ao arbítrio e partiu para as comemorações da vitória, também aí, na linha de frente do povo vitorioso, estava o PCdoB, envolto em sua rubra bandeira de luta.Os comunistas, contudo, pagaram preço elevado por essas jornadas. Dezenas de seus dirigentes e militantes foram mortos, ou em combate, ou nas torturas, ou friamente assassinados.

Neste 16 de dezembro de 2006, completam-se 30 anos de um crime que se fez contra o Partido, o último grande massacre praticado pela ditadura militar, a Chacina da Lapa. Reverenciando os três camaradas dirigentes que tombaram naquele episódio - Pedro Pomar, Ângelo Arroio e João Batista Franco Drumond – os que subscrevem esse texto, tendo estado na casa da Lapa e presos na mesma oportunidade, relembramos aqui aspectos do acontecido, para honrar os que tombaram e educar as novas gerações de combatentes.

Em 1976 a ditadura caminhava para seus 13 anos. Apresentava sinais de desgaste. Para vencer a chamada “guerrilha urbana”, teve que forjar tiroteios e assassinar jovens rebelados. Para vencer a guerrilha do Araguaia, teve que empreender três anos de lutas, fazer grande deslocamento de tropa, montar três campanhas de aniquilamento e estabelecer férrea censura, para impedir que a notícia da guerrilha fosse ao conhecimento público. E, depois de tudo isso, a Direção do Partido que comandara o Araguaia não fora desarticulada.

Na busca dessa Direção partidária, Carlos Nicolau Danielli, Lincoln Oest, Luis Guilhardini e Luis Bicalho Roque, todos dirigentes, foram presos e mortos na tortura. Mas a tortura, que após 1969 passara a ser aplicada amplamente, passou a ser tão desmascarada, dentro e fora do Brasil, que o regime começou a ficar, nesse terreno, na defensiva. O novo general-presidente, Ernesto Geisel, disse que haveria “distensão lenta, gradual e segura”. E eis que o jornalista Wladimir Herzog e o dirigente sindical Manoel Fiel Filho são presos. E assassinados. Para não se desmoralizar, Geisel teve que demitir o comandante do Exército localizado em São Paulo e nomear um outro, que chegou dizendo que não haveria torturas sob seu comando. A ditadura já sentia necessidade de se explicar, porque estava moral e politicamente enfraquecida. Mas sua força repressiva continuava intacta e enfrentava um problema não resolvido – a Direção do partido que comandara o Araguaia continuava articulada, seu dirigente principal, e principal responsável pelo Araguaia, João Amazonas, continuava vivo, e em liberdade. A ditadura considerada isto inaceitável. Concentrou-se, assim, na procura do núcleo de Direção.

Na ocasião a agenda do Partido encontrava-se em mudança, acompanhando a mudança da conjuntura: o enfraquecimento da ditadura e o aumento da resistência democrática. Em pauta estavam a revisão da experiência do Araguaia, para a retirada dos ensinamentos, e os encaminhamentos ligados às três bandeiras centrais do momento, segundo o pensamento do Partido, a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita, pela revogação dos atos e leis de exceção e pela convocação de uma Constituinte livremente eleita.

Uma reunião do Comitê Central estava prevista e sendo convocada. Por precaução, alguns de seus membros ficariam de fora. Ocorreu um fato imprevisto. Amazonas, que iria participar da reunião, teve que viajar, nas vésperas, ao exterior, juntamente com Renato, por decisão tomada no âmbito da comissão executiva. O conjunto só ficou sabendo dessa viagem quando a reunião foi aberta por Pedro Pomar.

Na Rua Pio XI, na Lapa, em São Paulo, existia uma casa onde se reunia o Comitê Central. O deslocamento dos dirigentes para o local era feito de forma absolutamente sigilosa. Ninguém ficava sabendo para onde ia. Para o lugar desconhecido todos eram levados, de olhos fechados, por um mesmo guia – Elza de Lima Monerat.

A reunião do Comitê Central, antecedida de outra da Comissão Executiva, deu-se entre os dias 14 e 15 de dezembro de 1976. Participaram da reunião Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Haroldo Lima, Aldo Arantes, Elza Monnerat, Wladimir Pomar, Jover Teles, João Batista Franco Drumond e José Novais. Arroio viera da frente do Araguaia, há pouco tempo.

Como previsto, a reunião procedeu a uma nova rodada de avaliação das lições do Araguaia. Documentos já estavam escritos, pontos de vista diferenciados já vinham aparecendo desde momentos anteriores. O tema foi mais uma vez investigado, pela sua importância, mas, naturalmente sem se pretender chegar a opiniões conclusivas, o que foi esclarecido, desde o início pelo Pomar. Todos falaram. Destoou a intervenção de Jover Teles, agressiva, exageradamente crítica, com convicções radicalizadas, e achando que já estava na hora de decisões conclusivas. A reunião rechaçou-o. Outros itens da pauta foram tratados normalmente.

Após a reunião, na noite do dia 15, iniciou-se a saída dos participantes do evento. Wladimir Pomar e João B. F. Drumond foram os primeiros a sair, no início da noite. Haroldo Lima e Aldo Arantes foram levados para fora, mais tarde. Drumond, antes de sair, colocara documentos em um pacote de biscoito, fato que auxiliou na caracterização de seu assassinato.

O carro, com Elza como guia, deixou o Wladimir e o Drumond distantes da Lapa, e voltou para apanhar a outra dupla, Haroldo e Aldo. Wladimir e Drumond foram presos em seguida ao desembarque, mas o carro voltara sem se aperceber de nenhuma anormalidade. Haroldo e Aldo saem depois, e, sob aparente tranqüilidade, são deixados no final da Avenida Brigadeiro Luis Antonio, nas proximidades do Ibirapuera. Aldo é preso pouco depois, na Estação Paraíso do Metrô. Haroldo foi seguido até sua casa, sendo preso no dia seguinte, logo que a deixara, ficando agentes da repressão dentro de sua residência por três dias, com sua companheira e filhas detidas, dizendo que estavam esperando o Haroldo chegar. A família ficou com a impressão que Haroldo, como não chegara, conseguira escapar. As torturas começaram logo após as prisões.

A partir de determinado momento a tortura sobre o Aldo parou e ele foi levado para uma cela algemado. Ali ouviu confusamente uma discussão. O suficiente para perceber que algo de grave havia ocorrido. Mais tarde, já no Presídio Tiradentes, Wladimir relatou ter ouvido que o rapaz que estava com o pacote de biscoitos havia morrido. A versão foi a de que Drumond fora “atropelado”. Muito magro, Drumond morreu na tortura.

No dia seguinte saíram do “aparelho” junto com a Elza e o motorista Joaquim Celso de Lima, José Novais e Jover Teles. Num determinado momento, notaram que estavam sendo seguidos.

Combinaram que o motorista tentaria despistar e quando conseguisse, parava o carro e daria fuga aos dois dirigentes. E assim foi feito. Logo que Jover e Novaes deixaram o carro, a repressão abalroou o automóvel e prendeu Elza e Joaquim.

Investigações partidárias descobriram, depois, que Jover tinha sido o responsável pela queda da Lapa. Preso, antes, no Rio de Janeiro, de fato não tinha como indicar onde seria a reunião próxima do CC, mas assumiu o compromisso de deixar-se seguir, ele que seria levado à reunião do CC, onde estaria, entre outros, João Amazonas, o homem do Araguaia. A não prisão de Jover e Novaes foi uma farsa montada para fazer supor que os dois evadiram-se. Prender Novaes sozinho, despertaria suspeita.

Na manhã do dia 16, numa ação combinada dos I, II e III Exércitos, a repressão partiu para matar quem estivesse na casa da Lapa. Não deu qualquer oportunidade de rendição, a ninguém. Pedro Pomar e Ângelo Arroio não receberam voz de prisão, nem foram advertidos ou chamados a se entregarem. Foram sumariamente fuzilados. Maria Trindade, cozinheira da casa, deitou-se durante o tiroteio e foi presa. A versão voltou à mesma batida mentira: houve um tiroteio e os dois comunistas morreram. Na casa não havia armamento. Declaração de chefe militar revelou que a repressão se considerava enganada, pois, diferentemente da informação que tinha, Amazonas não estava na casa. O Jover não sabia da viagem do João.

Dos presos, Haroldo, Aldo, Wladimir e Elza foram conduzidos, encapuzados, a um avião que os levou ao Rio de Janeiro, pois fôra o I Exército, ali sediado, que chefiara a operação. Elza entrou no avião repetindo, como um refrão: “covardes, covardes”. Haroldo chamou por Dias, que respondeu. Fomos tomando conhecimento de quem estava preso.

No Rio, no início das torturas, manchetes de jornais foram mostradas a Haroldo, que assim percebeu a magnitude do golpe sofrido pelo Partido. A reação de Haroldo foi pronta: nu, sob um capuz, e na frente de agentes da ditadura, fez vigorosa denúncia das atrocidades que aquele regime estava cometendo no Brasil, e da absurda política de se tratar o povo como inimigo interno da Pátria.

A tortura no Rio foi contínua, Aldo e Haroldo se viram apenas uma vez, de longe. A “cadeira do dragão”, os espancamentos e a “geladeira” eram usados sistematicamente.

Como o controle repressivo sobre as imprensa já não era tão completo, as mortes dos camaradas e nossa prisão ganharam os jornais, se bem que, em geral, segundo a versão da ditadura. De qualquer maneira, desencadeou-se um grande movimento de solidariedade internacional, principalmente na França e em Portugal. Em Lisboa, fizeram uma música intitulada “Sangue em flor” que tinha versos como “Foi na noite dos chacais; Foi no Brasil dos generais; Morrendo pela revolução; Foi Pedro, Ângelo e João; Companheiros imortais”.

Passada a fase de onze dias e onze noites de torturas no Rio, na tristemente famosa Rua Barão de Mesquita, fomos transferidos para São Paulo, onde ainda houve torturas, principalmente no DOI-CODI, na também tristemente famosa Rua Totóia. A prisão era em celas solitárias do DOPS paulista, onde ficávamos inteiramente nus, sem qualquer objeto, dormindo em uma cama de cimento, junto ao vaso sanitário. De noite Haroldo, deitando-se no chão, assobiava, por baixo da porta, a Internacional, que era respondida por Aldo. O contato assim estava feito, o Partido funcionado, a moral levantada.

Mais ou menos um mês depois, nosso advogado Luiz Eduardo Greenhalgh esteve com o Aldo, acompanhado de sua mãe. Viram as marcas da tortura. A mãe do Aldo foi ao Cardeal Dom Evaristo Arns denunciar o que viu. Em seguida, seguindo sugestão do Cardeal, fez carta que foi publicada na grande imprensa, fato que aconteceu pela primeira vez naqueles tempos.

Quando do nosso julgamento pela Auditoria Militar de São Paulo, apresentamos cartas-denúncias das torturas a que fomos submetidos, lidas no julgamento. Posteriormente, por intervenção do então Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil Raymundo Faoro, estas cartas foram publicadas em O Globo. Esta foi também a primeira vez que a grande imprensa divulgava denúncias de tortura formuladas pelos próprios torturados. Era mais um sinal de que o declínio da ditadura continuava. A própria Folha de São Paulo, em sua edição de 3 de setembro de 1977, disse estar o Governo “diante de uma denúncia de inegável gravidade e dela não poderá fugir. O procedimento esperado é o da apuração rigorosa dos crimes cometidos contra os direitos humanos, alegados nas petições enviadas à II Circunscrição da Justiça Militar, e a punição dos responsáveis por essa tentativa de retorno a negros tempos.” Evidentemente que nada foi apurado, mas nosso objetivo foi alcançado, desmascarar cada vez mais a sanha repressiva da ditadura.

Já estávamos há quase três anos em cadeia-política quando houve a Anistia, conquistada, ainda que com limitações, pelo movimento democrático que crescia cada vez mais. Depois da Anistia, na primeira eleição que houve, em 1982, fomos candidatos a deputado federal e fomos para o Congresso Nacional. A luta continuava, na nova trincheira conquistada, a da frente parlamentar.

Veio a grande campanha das Diretas Já e a derrota dessa campanha no Parlamento. Alguns se desesperaram. O Partido ajudou muitas forças democráticas do país a compreender que o objetivo central era por fim ao regime ditatorial e que, não tendo sido possível atingir esse objetivo através de uma eleição direta, caberia ás forças conseqüentes, democráticas e revolucionárias, perseverar na busca do fim do regime, ainda que fosse preciso ir ao Colégio Eleitoral. E assim a ditadura foi encerrada na eleição de Tancredo, após o que a Constituinte foi convocada.

O relato destes fatos tem por objetivo relembrar momentos trágicos da história política brasileira e dos graves prejuízos causados pela Ditadura Militar ao nosso País. Traz à tona, por outro lado, o importante papel exercido pelo Partido Comunista do Brasil na luta pela democracia e contra a Ditadura Militar.
Aproveitamos a oportunidade para prestar nossa homenagem a todos os que tombaram na luta contra a Ditadura, destacando os nomes de Maurício Grabois, Pedro Pomar, Ângelo Arroyo, Carlos Danielli, Lincoln Oest, Osvaldo Costa, (Osvaldão), Jorge Leal, Helenira Rezende, João Batista Franco Drumond e mais ainda, Carlos Mariguela, Carlos Lamarca e tantos outros.

A história comprova que, quando mulheres e homens destemidos, se levantam e lutam por causas grandiosas, como a liberdade, a democracia e o socialismo, aí sim, avanços marcantes ocorrem.

Honra e Glória aos que tombaram na Chacina da Lapa.
Honra e Glória aos que tombaram na luta pela liberdade de todos os povos.
Honra e Glória ao Socialismo.


Aldo Arantes e Haroldo Lima são membros do Comitê Central do PCdoB, presos na operação militar que resultou na Chacina da Lapa

*Artigo escrito por ocasião dos 30 anos da Chacina da Lapa e publicado em livreto do então Instituto Maurício Grabois (para baixar o livreto, clique aqui)

17 de dezembro de 2010

Flávio Dino: sai o parlamentar, entra o “cidadão do debate”



A semana no Parlamento foi marcada pelas despedidas dos deputados que não voltam à Casa na próxima legislatura. O deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), que concorreu nas eleições deste ano para o Governo do Maranhão, fez um discurso de prestação de contas de sua atuação parlamentar, manifestou preocupação com os temas que devem pautar o trabalho da próxima legislatura, adiantando que atuará “como cidadão do debate”, e agradeceu a todos – camaradas e adversários.

Dino destacou o seu empenho com os temas relacionados às questões de Estado, sobretudo à reforma política. Na opinião dele, a reforma política, “ tão necessária e tão premente, é um processo sempre em curso — e esperamos que a 54ª Legislatura conclua o que fizemos na 53ª Legislatura, com destaque para a nova Lei Eleitoral de 2009 e para a Lei da Ficha Limpa.”

Ele destacou a importância do debate sobre alteração do Código Eleitoral, “que será uma oportunidade para que tudo isso se resolva, recompondo a inteireza e dando segurança às regras do jogo democrático”.

Para ele, a lei deve garantir que todos, “a Direita e a Esquerda, cidadãos, políticos ou não, possam ter a certeza de que, a cada eleição, não saberemos o resultado antecipadamente, porque é próprio da democracia que haja alternância e que haja, portanto, imprevisibilidade quanto ao resultado, mas que também haja a previsibilidade, segurança quanto às regras do jogo, que evitarão casuísmo e abusos de toda a ordem, que, infelizmente, no quotidiano ainda são perpetrados, sobretudo no que se refere ao uso da máquina e do poder econômico”.

O deputado anunciou que voltará à vida profissional, como professor e advogado. Mas, em entrevista à imprensa, já adiantou que concorrerá as eleições municipais de 2012 como candidato à Prefeitura de São Luis (MA).

E, citando o Livro dos Provérbios, que recebeu de presente de um companheiro do PT, esta semana, disse que “nós procuramos trilhar essa estrada, continuamos nela, na estrada dos patriotas que travam o bom combate com honestidade, firmeza e coragem, que acreditam no Brasil e lutam pelo nosso povo.” A estrada a que se refere é a que cita a Bíblia: “A estrada dos homens de justiça, dos homens justos, é como a aurora: sempre progride, até a plena claridade do dia”.

Segurança e Justiça

Flávio Dino destacou os outros temas a que se dedicou durante o seu mandato: segurança pública e Justiça. Sobre o sistema de justiça, ele lembrou “a necessidade de dotá-lo de presteza e eficiência para servir bem ao nosso povo, sobretudo aos mais pobres.”

“Dediquei-me também à temática atinente à segurança pública, tema de grande importância para os cidadãos e cidadãs que nos ouvem, pela necessidade de se enfrentar a violência urbana, romper o ciclo de impunidade, enfrentar a macrocriminalidade e dar conta do fenômeno das organizações criminosas transnacionais que ameaçam a paz dos cidadãos e das famílias brasileiras”, explicou.

O parlamentar comunista avalia que “o problema da segurança pública não é apenas policial, mas sobretudo político, de políticas públicas. O Programa Nacional de Segurança com Cidadania é um importante marco normativo na constituição daquilo que deve ser uma política contemporânea de segurança pública.”

Cidadão do debate

Quando esteve pela primeira vez na Câmara dos Deputados, ainda como juiz, Flávio Dino veio tratar da reforma do Judiciário. Como parlamentar, também dedicou-se a este tema. E, na despedida do mandato, renovou o seu compromisso com o assunto.

Ele disse que é importante “dar passos importantes e decisivos para a consecução de um modelo capaz de propiciar um serviço jurisdicional de qualidade, justo e em tempo adequado para os cidadãos e as cidadãs brasileiras.”

Comemorou que, após 13 anos de tramitação legislativa, fosse aprovada Emenda Constitucional que garantiu a instituição do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, “órgãos de superposição administrativa que tem dado importantes contribuições para o adequado gerenciamento e para o controle social da atividade desses ramos do sistema de justiça”, analisou.

E parabenizou “o Congresso Nacional que acertou, com todos os seus defeitos, com todos os seus problemas, em deixar esse legado positivo, esse passo na construção desse sistema de justiça, capaz de efetivamente ser justo para a maioria do nosso povo, sobretudo para os mais pobres.”

Flávio Dino também manifestou desejo de que em 2011, na terceira fase da reforma do Poder Judiciário, sejam aprovados os novos Códigos, “que são as normas que consolidarão ou não novos marcos normativos capazes de balancear, de temperar segurança jurídica com adequada velocidade no funcionamento do sistema de Justiça.”

Ele disse que participará “como cidadão do debate” na 54ª Legislatura, que se iniciará em fevereiro próximo, na votação na Câmara, do novo Código de Processo Penal, já aprovado no Senado.

“Caberá a esta Câmara fazer as necessárias adequações, para que tenhamos leis modernas, que sejam reconhecidas, tradição de nosso sistema jurídico, como modelos para todo o mundo, como outras obras legislativas que este Parlamento já aprovou”, afirmou.

Agradecimentos

O discurso de despedida de Flávio Dino inclui uagradecimentos a todos – do povo do seu Estado do Maranhão ao seu Partido – o PCdoB – que o trouxeram à Câmara, até os adversários. Em referência a determinação de manter-se na vida pública, disse que renovava “o compromisso com a mudança da política da nossa terra, com a sua modernização, com a sua plenitude democrática, com a republicanização das suas instituições.”

Nos agradecimentos, inclui todos os Parlamentares, de todas as correntes de opinião. “Quero dizer do tanto que aprendi com meus adversários políticos, aqueles que não compartilham das posições idênticas às que nós da Esquerda defendemos. Fazendo a oposição necessária, colaboraram para que nós outros da base do Governo e da Esquerda política pudéssemos enxergar defeitos e falhas, e com isso encontrar melhores caminhos para nosso País.”

E aos camaradas da base de Governo disse que reconhecia “o grande esforço que todos nós fizemos para elevar o nome do Parlamento brasileiro.”

De Brasília
Márcia Xavier

Fonte: www.vermelho.org.br

16 de dezembro de 2010

Assange é libertado sob fiança e diz que justiça "não morreu"



O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, foi libertado sob fiança nesta quinta-feira (16), poucas horas depois de um tribunal de Londres rejeitar o recurso apresentado pela Promotoria Pública da Suécia, que alegava "perigo de fuga" de Julian Assange.
Assim que deixou o tribunal, Assange fez um peqeuno pronunciamento em que afirmou que "se nem sempre se alcança a justiça, ao menos ela ainda não está morta".

Na terça-feira, um tribunal em primeira instância já havia determinado que o australiano fosse libertado após o pagamento de uma fiança estipulada em 200 mil libras (236 mil euros) e garantias adicionais no valor de 40 mil libras (47 mil euros) de duas pessoas.

Assange estava preso há nove dias, depois de ter se apresentado à polícia britânica por causa de acusações de suposto abuso sexual na Suécia. Ele desmente as acusações e denuncia que é vítima de uma intriga de teor político orquestrada pelo governo dos EUA.

O australiano, de 39 anos, foi detido dia 7 de dezembro no âmbito de um mandado de captura europeu emitido pelas autoridades suecas, sob a acusação de um ato de coerção, dois atos de agressão sexual e um de violação, que teriam sido cometidos em agosto.

Assange deverá ficar morando em uma casa de campo perto de Bungay, no oeste da Inglaterra, a 200 quilômetros de Londres, propriedade de Vaughan Smith, um jornalista e ex-militar, cujo clube de jornalistas em Londres também abrigou o australiano antes da detenção.

Assange deverá ser obrigado a usar uma pulseira eletrônica e se apresentar diariamente à polícia, além de estar limitado a um horário determinado para sair de casa.

Mark Stephens, um dos advogados de Julian Assange, disse ao chegar ao tribunal estar certo de que o dinheiro da fiança estará disponível ainda nesta quinta-feira. Várias personalidades ofereceram ajuda para o pagamento da fiança, entre elas, Fatima Buttho, sobrinha da antiga primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, Bianca Jagger, ex-mulher do músico Mick Jagger e o documentarista norte-americano Michael Moore.

Julian Assange volta a tribunal em 11 de janeiro para o julgamento do processo de extradição para a Suécia.

Fonte: www.vermelho.org.br

Lei de Responsabilidade Educacional será enviada ao Congresso



Na próxima semana será encaminhado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei de Responsabilidade Educacional. A ideia é antiga no setor e foi uma das propostas aprovadas em abril na Conferência Nacional de Educação (Conae).

A ideia é criar um mecanismo semelhante à Lei de Responsabilidade Fiscal, que possa punir gestores que administrarem mal os recursos da área ou não cumprir metas de melhoria da educação determinadas em lei. O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que a ferramenta legal dará mais efetividade às propostas apresentadas ontem (15) no novo Plano Nacional de Educação (PNE).

De acordo com o ministro, a proposta na verdade vai alterar um trecho da Lei de Ação Civil Pública. “Depois de muito debate, chegamos à conclusão de que você deve responsabilizar o gestor quando ele não cumpre obrigações. Por exemplo, se eu digo no PNE que ele tem um ano para fazer o seu plano municipal ou estadual de Educação, ele está descumprindo uma lei federal”, defende. O atual PNE, ainda em vigor, já determinava em 2001 que cada estado e município deveria elaborar seu próprio plano, mas poucos cumpriram a orientação.

O Ministério Público será a instância responsável por fiscalizar e cobrar de prefeitos e governadores, além do governo federal, o cumprimento de metas educacionais e outras determinações legais. Haddad afirmou que no caso das metas qualitativas, como as estabelecidas no PNE para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), não há como aferir se a culpa é ou não do gestor.

“Tivemos esse cuidado durante o debate porque às vezes o gestor fez tudo que estava ao seu alcance para melhorar a qualidade, mas eventualmente não cumpriu uma meta. Temos que verificar se ele está sendo diligente em relação às suas obrigações”, exemplificou.

As sanções seriam as mesmas previstas na Lei de Ação Civil Pública, que vão de multa a reclusão. Haddad acredita que o texto chegará ao Congresso Nacional até segunda-feira (21).

Com informações da Agência Brasil

15 de dezembro de 2010

Agora é Lei Municipal. Dia 9 de Maio é Dia de Antonio Vieira



Dia 09 de maio, data de nascimento do artista, será celebrado como “Dia de Tributo a Vida e Obra do Mestre Antônio Vieira”.

Um dos ícones da cultura popular maranhense, o mestre Antônio Vieira, eternizado pelas suas canções que revelam a poesia do cotidiano com humor e delicadeza, será também lembrado e homenageado no calendário cultural da capital maranhense.

Instituído em 12 de agosto de 2010 pela Lei Municipal nº 5.328, o dia 09 de maio, data de nascimento do artista, será celebrado como “Dia de Tributo a Vida e Obra do Mestre Antônio Vieira”. O objetivo é preservar a memória e obra desse renomado artista que ganhou o país cantando as suas raízes, nos ritmos populares do Maranhão como bumba-meu-boi e o tambor de crioula.

O ludovicense Antônio Vieira nasceu em 9 de maio de 1920. Foi criado por um parente próximo da família e na sua infância teve a oportunidade de estudar e concluir seus estudos, coisa rara para um menino negro naquela época. Formou-se em Ciências Contábeis. Foi também comerciante, Sargento do Exército, entre outras. Mas, foi na música, sua maior paixão, que se realizou profissionalmente. Compôs mais de 400 canções, algumas gravadas por grandes nomes do cenário musical maranhense, como Rita Ribeiro e Zeca Baleiro.

Começou a compor aos 16 anos, porém, o mestre Vieira passou a se dedicar mais a música conforme ia se aposentando de suas profissões. Tanto é que o seu primeiro disco gravado só foi apresentado em 1986. Em 1997, a cantora maranhense Rita Ribeiro, até então desconhecida nacionalmente, decide gravar duas músicas do Mestre: 'Tem quem queira' e 'Cocada'. Esta última foi indicada ao Prêmio Sharp 98 como ‘Melhor Canção’.

Antônio Vieira faleceu na manhã do dia 7 de abril de 2009 por falência múltipla de órgãos, provocada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Fone: ASCOM - FUNC São Luís/MA

14 de dezembro de 2010

SINPROESEMMA e trabalhadores em educação do Maranhão pressionam Deputados nesta quarta (15), em Sessão na Assembléia Legislativa, às 9h


Presidente do SINPROESEMMA, Júlio Pinheiro fala aos educadores

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) convoca todos os seus associados para acompanhar, nesta quarta-feira (15), na Assembléia Legislativa, às 9h, a votação da proposta de previsão orçamentária do governo do Estado para o exercício de 2011.

De acordo com avaliação do sindicato, a proposta de orçamento do Estado não prevê recursos para a implantação do Plano de Cargo, Carreira e Remuneração dos profissionais de educação. A idéia é sugerir, na sessão, a aprovação de uma emenda complementar que garanta os recursos para a reestruturação da carreira dos trabalhadores da educação – professores e funcionários.

Segundo a direção do Sinproesemma, para que o sindicato tenha mais força na cobrança pela aprovação da emenda é necessário o apoio maciço e presente da categoria na sessão de votação do orçamento, prevista para acontecer na manhã desta quarta-feira.

É importante que todos participem desta frente de apoio pelo reconhecimento e valorização dos trabalhadores da educação. A Assembléia Legislativa está localizada na Av. Jerônimo do Albuquerque, bairro do Cohafuma, em frente à Ceasa.

Vigília

O Sindicato faz vigília permanente na Assembléia Legislativa para não perder a votação do orçamento, que tem previsão para acontecer nesta quarta-feira. A programação de sessões na Assembléia encerra no dia 22 deste mês e até lá o sindicato estará atento às decisões com relação ao orçamento do Estado.

Segundo presidente do Sinproesemma, Júlio Pinheiro, o deputado Rubens Júnior (PC do B) dá apoio à causa do sindicato e faz pronunciamentos sistemáticos nas sessões da AL visando chamar a atenção do governo para a necessidade de garantir recursos para educação, em especial para reestruturar a carreira dos profissionais da área.

Fonte: ASCOM - SINPROESEMMA

Tribunal britânico autoriza libertação de fundador do WikiLeaks sob fiança



Por Peter Griffiths

LONDRES (Reuters) - O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, que foi preso na Grã-Bretanha após ter sido acusado na Suécia de crimes sexuais, foi autorizado nesta terça-feira por um tribunal a deixar a prisão sob pagamento de fiança.

O australiano de 39 anos, cujo site WikiLeaks enfureceu os Estados Unidos ao começar a divulgar cerca de 250 mil comunicações diplomáticas sigilosas, recebeu o benefício da liberdade condicional do juiz Howard Riddle até que seja realizada outra audiência.

Assange, que nega as acusações feitas contra ele na Suécia, será monitorado eletronicamente, terá de pagar 200 mil libras (317.400 dólares) à corte, apresentar-se diariamente à polícia e respeitar um toque de recolher até a realização da próxima audiência, no dia 11 de janeiro, decidiu o juiz.

O advogado de Assange, Geoffrey Robertson, afirmou a jornalistas após a concessão da liberdade condicional que levará tempo para organizar a segurança necessária e que Assange provavelmente passará a noite de terça-feira ainda na prisão.

O juiz determinou que Assange deve fixar residência em Suffolk, leste da Inglaterra, terra de Vaughan Smith, ex-oficial do Exército que criou uma associação independente de jornalismo em Londres.

A promotoria recebeu um prazo do tribunal, até o final da tarde, para decidir se vai recorrer da decisão do juiz.

Antes da audiência, Assange acusou as empresas que deixaram de prestar serviços ao seu site de estarem a serviço da política externa dos EUA, e pediu ajuda para que seu trabalho seja protegido de 'ataques ilegais e imorais'.

Em conversa com sua mãe na prisão britânica, ele disse que não vai se intimidar.

'Minhas convicções são firmes. Continuo firme aos ideais que expressei. As circunstâncias não irão abalá-los', disse Assange, segundo nota entregue por sua mãe, Catherine, a uma TV australiana.

'Sabemos agora que Visa, Mastercard, Paypal e outras são instrumentos da política externa dos EUA. Não é algo que sabíamos antes', afirmou. 'Estou pedindo ao mundo para que proteja meu trabalho e minha equipe desses ataques ilegais e imorais.'

Na semana passada, simpatizantes de Assange realizaram pela Internet a 'Operation Payback' ('Operação Troco'), tirando do ar os sites da Visa, Credicard e do governo sueco.

Mas o advogado de Assange Mark Stephens sugeriu que seu cliente discorda desses ataques.

'Quando eu disse a Julian sobre os ciberataques... ele disse: 'Olhe, já fui alvo de ciberataques. Acredito na liberdade de expressão, não acredito em censura, e claro que os ciberataques são justamente isso', afirmou Stephens nesta terça ao canal Sky News.

Segundo o advogado, Assange fica isolado na cadeia 'vinte três horas e meia por dia'. 'Ele não tem acesso a jornais, televisão ou outros dispositivos noticiosos; não recebe correspondência, está submetido às mais insignificantes formas de censura', afirmou.

Assange entregou-se à polícia britânica na semana passada após a Suécia ter emitido um mandado internacional de prisão contra ele.

O australiano e seus advogados já manifestaram temores de que promotores dos EUA queiram indiciá-lo por espionagem por causa dos vazamentos do WikiLeaks.

(Reportagem adicional de Michael Perry e Adrian Croft)

Extra! Extra! Debate em São Paulo/SP pergunta: "o que está em jogo" com o Wikileaks?


(Clique na imagem para ampliar)

13 de dezembro de 2010

Lula envia Plano Nacional de Educação ao Congresso dia 15



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem (13) que vai enviar o novo Plano Nacional de Educação (PNE) ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira (15). “Estaremos deixando público o compromisso do governo brasileiro até 2020”, disse em seu programa semanal Café com o Presidente.

Entidades da área educacional já haviam pedido urgência na divulgação do texto. Uma carta foi enviada ao Ministério da Educação (MEC) e à Presidência da República para que o projeto fosse encaminhado ao Congresso Nacional antes do recesso parlamentar, que deve começar nesta semana, logo que for votado o Orçamento de 2011.

Lula lembrou que o novo PNE não deve ser visto como um programa de governo, uma vez que tem a duração de dez anos. “O que é importante é que as metas são ambiciosas”, disse, ao citar a previsão de chegar a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) investidos em educação até 2020.

“[A qualidade da educação] é um desafio para a futura presidenta do Brasil, a companheira Dilma Rousseff. É um desafio para quem for escolhido por ela para ser ministro da Educação”, afirmou.

Lula destacou os investimentos em educação superior feitos nos últimos oito anos, mas avaliou que é preciso, a partir de agora, “mais ousadia” no ensino fundamental.

O atual Plano Nacional de Educação vigora até 31 de dezembro.

Fonte: Agência Brasil

Livro traz questão nacional como força motriz do desenvolvimento



A crise econômica mundial, o desempenho positivo dos países emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China -, e a retomada do crescimento nacional aliado a políticas sociais com a ascensão do Governo Lula foram os principais motivadores para a organização do livro "Desenvolvimento: Ideias para um projeto nacional", lançado nesta quinta-feira (09/12), na livraria LDM, em Salvador. A obra reúne artigos de 21 autores, sob a organização dos economistas Renildo Souza e Aloísio Barroso.“O desenvolvimento precisa ter a participação política das forças progressistas, porque senão concentra a renda e você tem crescimento econômico, mas não tem mecanismos distributivos nem políticas sociais e públicas com força na opinião popular e progressista para poder imprimir esse novo rumo desenvolvimentista. O livro, portanto, é uma contribuição da Fundação para fomentar essa discussão e deixar presente, na nossa consciência, a importância de participar disso”, destacou Barroso, diretor de Estudos e Pesquisas da Maurício Grabois e mestre em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp.

As prioridades a serem implementadas a partir do crescimento econômico, em especial os aspectos de elevação do padrão de vida da população, também foram destacadas por Renildo Souza. Para ele, que é mestre em Ciências Econômicas e doutor em Administração pela UFBA, os atuais mecanismos da política econômica em curso no país têm uma relação de apoio e de contradição com o novo projeto nacional de desenvolvimento, que propõe reformas na estrutura produtiva e tecnológica do Brasil e na sua forma de inserção na economia mundial.

“Os investimentos públicos, os esforços de infraestrutura, esse novo papel do estado, a valorização das estatais e o fortalecimento dos bancos públicos contribuem para o novo projeto. Por outro lado, é preciso enfrentar a política monetária, a política de superávit primário e a flexibilização do mercado cambial”, pontuou. Souza explica que a elevada taxa de juros – 5,5% em termos reais - aliada aos déficits que surgiram e que vão se acumulando na balança de pagamentos do país, por conta do câmbio flutuante, ameaçam a perspectiva de crescimento da economia nacional. “Dilma (Rousseff) tem consciência desses problemas e da necessidade de políticas públicas para que esse novo projeto nacional de desenvolvimento realmente contemple os interesses nacionais e sociais dos brasileiros”, defendeu o economista.

A questão nacional

Para o professor Pedro César Dutra Fonseca, que assina um dos capítulos do livro, o desafio está em compatibilizar a questão democrática, social e, sobretudo, nacional. “A questão nacional não deve ser abandonada, porque sempre vai existir espaço para a luta de classes dentro dos países e espaço para se contrapor às tendências gerais da globalização e do capital”, afirmou durante palestra no ato de lançamento.

Traçando um paralelo entre os governos de Getúlio Vargas nos anos de 1950 e de Geisel nos anos 70, Fonseca exemplificou modelos de gestão nacional que, diante de crises internacionais – o crash da Bolsa de Nova Iorque, em 29, e a Crise do Petróleo, em 70 – optaram por investir em mudanças na estrutura produtiva do país e sagraram-se exitosos na retomada do crescimento nacional. No contexto atual, portanto, de crise do capitalismo, o melhor caminho para o Brasil se consolidar enquanto uma das nações mais fortes e influentes deste século 21, segundo o professor, é investir em distribuição de renda com crescimento econômico. “Talvez a nossa geração, diante desse contexto internacional, nessa crise e nessas circunstâncias, tenha essa tarefa histórica dentro de uma democracia que se alia a possibilidades de mudança dentro da própria democracia e, portanto, com maior participação”, acredita.

O livro ainda traz textos de Aldo Rebelo, Haroldo Lima, Juca Ferreira, Luiz Gonzaga Belluzzo, Márcio Pochmann e Renato Rabelo, entre outros, agrupados em cinco temas: Metamorfose do Desenvolvimento; Para uma Economia do Desenvolvimento; Questão Nacional e Estratégias de Desenvolvimento; Desenvolvimento, Trabalho e Desigualdades; Obstáculos e Desafios. A publicação está à venda (R$ 35) nas unidades das livrarias LDM, em Salvador.

Fonte: Portal Vermelho

11 de dezembro de 2010

Noite de Sábado com poesia exposta













Do desequilíbrio

Criei
O
Poema
E
Me
Dilui
No
Seu
Desequilíbrio
Dialético
Renasci
Com
O
Fonema
Na
Sua
Totalidade
Encravada
Ao
Gesto
Inacabado
De
Um
Traço
Rabiscado
Agora
Pintado
E
Entrelaçado
A
Palavras
Que
Nascem
Como
Este poema
Que
Faço.


Marden ramalho
1997

Não queria lembrar assim, mas ... só pra diversão ...


(Ilustração de Rodrigo Rosa para a revista Rolling Stone)

10 de dezembro de 2010

Flávio Dino e PCdoB realizam plenária e lançam livro sábado, 9h, no Quality Gran São Luís Hotel



O deputado federal Flávio Dino (PCdoB-MA) convoca amigos e apoiadores para a plenária "O Maranhão é de todos nós". A atividade será realizada no sábado, 11 de dezembro, das 9h da manhã ao meio dia no auditório do Quality Gran São Luís Hotel, Centro.

Será o primeiro grande encontro de todos os apoiadores da campanha da coligação "Muda Maranhão" para o governo do estado e tem o objetivo de confraternizar a oposição e discutir estratégias de atuação desse campo político para os próximos anos. Uma das estratégias possíveis é criar um fórum de articulação de lideranças sindicais, partidárias e de movimentos sociais.

Além de Flávio Dino, confirmaram presença na plenária José Reinaldo Tavares, Domingos Dutra, Ribamar Alves, Eliziane Gama, Marcelo Tavares, Rubens Júnior, Bira do Pindaré, Cleide Coutinho, Humberto Coutinho e lideranças ligadas ao PCdoB, PSB e PPS e a movimentos sociais de dezenas de municípios do interior do Maranhão.

Durante a plenária, será lançado também o livro "Flávio Dino: por um Maranhão de todos nós". A publicação é uma coletânea de trechos de discursos e depoimentos da população durante a campanha para o governo do estado, bem como de lideranças políticas ligadas à coligação Muda Maranhão. A organização do material foi feita pela equipe de Comunicação da campanha.

Fonte: ASCOM - PCdoB

9 de dezembro de 2010

Debate em São Paulo marca luta na América Latina contra o intervencionismo militar dos EUA


Clique na imagem para ampliar

A campanha América Latina é de Paz – Fora Bases Militares Estrangeiras o convida a participar do debate “América Latina em luta contra o intervencionismo militar dos EUA” a ser realizado no dia 10 de dezembro, no marco da jornada continental contra as bases militares estrangeiras.

O debate contará com pensadores comprometidos e lideranças sociais, que analisaram os distintos intentos de ampliação do poderio bélico dos EUA em nossa região, como a situação das bases na Colômbia, os golpes militares de Honduras e Equador, além da presença da OTAN nas águas do Atlântico Sul. O debate servirá para prestarmos nossa solidariedade ao povo haitiano e aos movimentos que estão em luta em nosso continente.

Somos um continente rebelde e de paz, que não se dobrará ao imperialismo e as suas políticas de guerra. Vamos debater nossas estratégias de ação para desde as ruas fazer da América Latina uma região livre de bases militares estrangeiras.

10 de dezembro, a partir das 18h30

Câmara Municipal de São Paulo Sala Oscar Pedroso Horta, 1º subsolo

Atualizado em ( 02/12/2010 )

Fonte: www.cebrapaz.org.br

Declarada "Guerra da Informação” contra o império!!!!!!



Um Exército de hackers voluntários está agindo em defesa do site WikiLeaks e entrou na disputa cibernética protagonizada por ataques e contra-ataques envolvendo a polêmica homepage, que divulga importantes documentos secretos pelo mundo, dando início assim à primeira ”Guerra da Informação”.

A “Operation Avenge Assange” (Operação Vingar Assange), organizada por hackers após o cerco internacional contra o WikiLeaks e seu criador, Julian Assange, conseguiu nesta quarta-feira derrubar parte dos sistemas informáticos da rede de cartões de crédito MasterCard, prova do poder da mobilização espontânea através da internet.

O protocolo IRC (Internet Relay Chat) é o ponto de partida do ataque contra a rede MasterCard, ao qual a Agência Efe teve acesso. Nele, o moderador estabeleceu como título “Operação Payback. Alvo: ”www.mastercard.com”. Existem coisas que o WikiLeaks não pode fazer. Para todas as outras existe a Operação Payback”.

No final da manhã desta quarta-feira, os operadores do IRC informavam que mais de 1.800 bots estavam inundando com Ataques de Negação de Serviços (DDoS) contra o endereço “www.mastercard.com”. A empresa reconheceu dificuldades em alguns de seus serviços.

Enquanto isso, outros usuários do protocolo informavam sobre o progresso do ataque com mensagens sobre o estado das operações da Mastercard em países tão distantes como Suécia, Sri Lanka e México, ou sobre a evolução das ações da companhia de cartões de crédito na Bolsa de Nova York.

“A primeira guerra da informação começou. Envie por Twitter e poste isso em qualquer site”, proclamava um dos hackers.

Outros solicitavam que o grupo dirigisse seus ataques contra os serviços de PayPal, Visa e inclusive contra a conservadora emissora de televisão “Fox News”. No entanto, o grupo de hackers denominado “Anonymous” mantém o ataque contra a Mastercard.

“Por favor, deixem de sugerir novos sites. Os líderes de ”Anon” decidiram que ”mastercard.com” deve permanecer apagado. Dessa forma, afetaremos o preço de suas ações. Obrigado”, explicava outro usuário.

Segundo o blog da empresa de segurança virtual Panda, o grupo havia atacado o sistema de pagamentos online PayPal pouco depois de o serviço anunciar o bloqueio financeiro ao WikiLeaks, embora o ataque tenha se limitado a um blog da empresa.

O Panda assinalou que o ataque DDoS contra o “ThePayPalblog.com” durante oito horas fez com que o blog sofresse 75 interrupções de serviço.
O “Anonymous” também conseguiu afetar gravemente o funcionamento do PostFinance, banco suíço que também bloqueou sua conta ao WikiLeaks, e ao escritório de advocacia sueco que representa as duas mulheres que acusaram Assange de estupro e abuso sexual.

Pelas acusações, a Justiça sueca e as autoridades policiais internacionais expediram um mandado de prisão contra o ativista australiano, que não viu alternativa senão se entregar às autoridades do Reino Unido, onde estava vivendo e onde está detido, aguardando a definição sobre se será extraditado à Suécia.

O grupo que organizou o ataque é um coletivo de hackers denominado “Anonymous” e que se reúne habitualmente pelo site “4chan.org”, uma simples homepage que é utilizada para divulgar mensagens, fotografias ou simplesmente discutir sobre política.

Este não é o primeiro ataque lançado pelo “Anonymous”. Considera-se que o grupo facilitou a identificação e detenção de vários pedófilos, mas talvez uma de suas ações mais conhecidas foi o chamado “Projeto Chanology”, iniciado em 2008, para protestar contra a Igreja da Cientologia.

Por causa desse protesto, que incluiu ataques DDoS como os que atingem agora a Mastercard, o grupo adotou a estética da história em quadrinhos “V de Vingança”, no qual milhares de pessoas usam uma máscara idêntica ao do enredo para evitar sua identificação pelas autoridades.

No ano passado, o “Anonymous” também se uniu aos protestos contra as eleições iranianas, vencidas pelo líder Mahmoud Ahmadinejad e consideradas fraudulentas pela oposição.
Em seus protestos, o “Anonymous” qualificou seus ataques como “Operation Payback” (Operação Vingança), mas, desde que o WikiLeaks começou a publicar as correspondências secretas da diplomacia americana e o site começou a sofrer assédio de empresas e Governos, o “Anonymous” decidiu lançar a “Operação Vingar Assange”.

“O WikiLeaks está apagado por Ataques de Negação de Serviços (DDoS). Há razões para crer que os Estados Unidos estão por trás, devido à natureza do vazamento (de documentos) do domingo 28 de novembro”, assinalou o grupo em seu site.

“Embora não estejamos filiados ao WikiLeaks, lutamos pelas mesmas razões. Queremos transparência e combatemos censura”, acrescentou o grupo. “Não podemos permitir que isso aconteça”.

“Por isso, vamos utilizar nossos recursos para aumentar a conscientização, atacar aqueles contrários e apoiar aqueles que estão ajudando a levar nosso mundo à liberdade e democracia”, finalizou a mensagem.

Campanha de solidariedade

Enquanto as comunidades hackers manifestam solidariedade ao WikiLeaks com a "guerra da informação", ativistas de diversos movimentos sociais iniciam uma grande campanha de apoio ao site e a seu fundador através de uma petição que circula pela internet. Veja, abaixo, a mensagem que está sendo disparada para mailings de várias partes do mundo pedindo adesão à campanha de apoio ao WikiLeaks:


Caros amigos,

A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo.

Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam.

A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo – vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana!

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl

O WikiLeaks não age sozinho – eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa.

O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las.

Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição:

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/?vl

Você já se perguntou porque a mídia raramente publica as histórias completas do que acontece nos bastidores? Por que quando o fazem, governos reagem de forma agressiva, Nestas horas, depende do público defender os direitos democráticos de liberdade de imprensa e de expressão. Nunca houve um momento tão necessário de agirmos como agora.

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Com informações do Terra e Mulheres pela P@z

China considera interferência pedidos para libertação de dissidente premiado com o Nobel



A China qualificou hoje (9) de "interferência flagrante" em seus assuntos domésticos a aprovação de uma resolução no Congresso americano pedindo a libertação do ganhador do Prêmio Nobel da Paz este ano, o dissidente Liu Xiaobo. A resolução foi aprovada pela Câmara dos Representantes por 402 votos contra 1. O texto congratula Liu Xiaobo e pede reformas democráticas na China.

Uma porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês disse que a aprovação da resolução americana é "arrogante" e acrescentou que os países que comparecerem à cerimônia de entrega do Nobel estarão desrespeitando os chineses. "Esperamos que os países que receberam o convite [para a cerimônia] sejam capazes de distinguir entre o certo e o errado", disse a porta-voz. A China considera Liu Xiaobo criminoso por incitar a subversão contra o regime do país.

Às vésperas da cerimônia de premiação, marcada para amanhã (10) em Oslo, na Noruega, sites noticiosos foram bloqueados na China. A impossibilidade de acesso foi registrada por usuários em diversas partes da China. O escritório chinês da agência AFP informou que não conseguiu acessar outros sites de notícias, como o da rede americana CNN e o da empresa pública de notícias da Noruega, a NRK.

Quando o Comitê do Nobel anunciou a premiação de Liu Xiaobo, há dois meses, as primeiras informações foram bloqueadas em canais de TV. A emissora estatal chinesa, CCTV, não noticiou a premiação de Liu Xiaobo.

Fonte:Agencia Brasil

8 de dezembro de 2010

Feriadão, mudança de idade e poesia exposta


Marden Ramalho

“ IDADE MADURA ”

As lições da infância
desaprendidas na idade madura.
Já não quero palavras
nem delas careço.
Tenho todos os elementos
ao alcance do braço.
Todas as frutas
e consentimentos.
Nenhum desejo débil.
Nem mesmo sinto falta
do que me completa e é quase sempre melancólico.

Estou solto no mundo largo.
Lúcido cavalo
com substância de anjo
circula através de mim.
Sou varado pela noite, atravesso os lagos frios,
absorvo epopéia e carne,
bebo tudo,
desfaço tudo,
torno a criar, a esquecer-me:
durmo agora, recomeço ontem.

De longe vieram chamar-me.
Havia fogo na mata.
Nada pude fazer,
nem tinha vontade.
Toda a água que possuía
irrigava jardins particulares
de atletas retirados, freiras surdas, funcionários demitidos.

Nisso vieram os pássaros,
rubros, sufocados, sem canto,
e pousaram a esmo.
Todos se transformaram em pedra.
Já não sinto piedade.

Antes de mim outros poetas,
depois de mim outros e outros
estão cantando a morte e a prisão.
Moças fatigadas se entregam, soldados se matam
no centro da cidade vencida.
Resisto e penso
numa terra enfim despojada de plantas inúteis,
num país extraordinário, nu e terno,
qualquer coisa de melodioso,
não obstante mudo,
além dos desertos onde passam tropas, dos morros
onde alguém colocou bandeiras com enigmas,
e resolvo embriagar-me.

Já não dirão que estou resignado
e perdi os melhores dias.
Dentro de mim, bem no fundo,
há reservas colossais de tempo,
futuro, pós-futuro, pretérito,
há domingos, regatas, procissões,
há mitos proletários, condutos subterrâneos,
janelas em febre, massas de água salgada, meditação e sarcasmo.

Ninguém me fará calar, gritarei sempre
que se abafe um prazer, apontarei os desanimados,
negociarei em voz baixa com os conspiradores,
transmitirei recados que não se ousa dar nem receber,
serei, no circo, o palhaço,
serei médico, faca de pão, remédio, toalha,
serei bonde, barco, loja de calçados, igreja, enxovia,
serei as coisas mais ordinárias e humanas, e também as excepcionais:
tudo depende da hora
e de certa inclinação feérica,
viva em mim qual um inseto.

Idade madura em olhos, receitas e pés, ela me invade
com sua maré de ciências afinal superadas.
Posso desprezar ou querer os institutos, as lendas,
descobri na pele certos sinais que aos vinte anos não via.
Eles dizem o caminho,
embora também se acovardem
em face a tanta claridade roubada ao tempo.
Mas eu sigo, cada vez menos solitário,
em ruas extremamente dispersas,
transito no canto do homem ou da máquina que roda,
aborreço-me de tanta riqueza, jogo-a toda por um número de casa,
e ganho. ”

( Carlos Drummond de Andrade - 'Biografia' - 1902/1987 )

7 de dezembro de 2010

Google é condenado a pagar honorários à Igreja Universal do Reino de Deus por exibir vídeos no You Tube



A empresa Google Brasil Internet deve pagar honorários advocatícios à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no valor de R$ 2.500. A decisão é do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu provimento a um recurso da igreja.

A IURD ajuizou ação de obrigação de fazer em razão da veiculação de vídeos ofensivos no site You Tube. Os vídeos foram retirados do ar e foi fornecida a identificação dos usuários responsáveis pela publicação. Como o objetivo da ação foi atingido, a disputa entre as partes permaneceu apenas quanto ao pagamento dos honorários advocatícios.

Em primeiro grau, o Google foi condenado a pagamento a verba honorária. Ao julgar a apelação, o Tribunal de Justiça de São Paulo afastou a condenação por entender que a IURD deu causa à propositura da ação.

A igreja ajuizou agravo de instrumento no STJ para que fosse admitido o recuso especial contra a decisão do tribunal paulista. Primeiramente, o agravo não foi conhecido pela Presidência do STJ porque faltava procuração de advogados.

Ao analisar agravo regimental da IURD, o ministro Luis Felipe Salomão reconsiderou a decisão. Isto porque a Quarta Turma firmou o entendimento de que a juntada de qualquer procuração outorgada ao advogado do agravado satisfaz a exigência do artigo 544, parágrafo 1º, do Código de Processo Civil.

Ao analisar o mérito do pedido, o ministro Salomão ressaltou que o princípio da causalidade determina que os honorários advocatícios sejam suportados por quem deu causa a ação. Ele considerou que o litígio teve origem com a exibição das imagens, de forma que quem deu causa à ação foi o Google, ao exibir os vídeos. Portanto, é a parte ré quem deve pagar os honorários.

Segundo o ministro Salomão, “a retirada dos vídeos pela própria ré e o fato de ela estar compelida a resguardar o sigilo de seus usuários não modifica o motivo que originou a demanda, embora tais fatos influenciem no arbitramento do valor da verba honorária”. Ele considerou que a quantia fixada na sentença era razoável e não deveria ser alterada pelo STJ.

Com essas considerações, o ministro Salomão conheceu do agravo de instrumento para dar provimento ao recurso especial, restabelecendo a condenação em honorários advocatícios imposta na sentença.

Fonte: ascom - STJ

6 de dezembro de 2010

Deficit de Fluminense e Vasco ultrapassa 580 milhões de reais



Campeão brasileiro no último domingo (5), o Fluminense acumulou um déficit de R$ 238,3 milhões nos últimos seis anos. Entre os principais clubes brasileiros, o tricolor das Laranjeiras só perde para o rival Vasco da Gama, cujo déficit no mesmo período soma R$ 344,5 milhões.

Entre 2004 e 2009, os 20 clubes de maior arrecadação do futebol nacional acumularam um déficit de mais de R$ 1,2 bilhão, dos quais 60% — R$ 760,7 milhões — acumulados apenas nos últimos dois anos. Os dados fazem parte de um levantamento inédito da consultoria Crowe Horwath RCS, que analisou o balanço dos principais clubes do país nos último seis anos.

Para Amir Somoggi, diretor da área Esporte Total da Crowe Horwath RCS, há uma tendência global de dificuldades na geração de lucros com o futebol. "O futebol precisa rever o excesso de despesa que os clubes vêm ampliando. Os salários são cada vez mais altos, os jogadores cada de mais caros", diz.

No caso brasileiro, a dificuldade dos cubes em fechar o balanço no azul também esbarra nas dívidas tributárias com o governo federal e nos muitos empréstimos bancários contraídos. Em 2008, quando foi aprovada a Timemania, por exemplo, os clubes tiveram de assumir suas dívidas tributárias para participar da loteria.

Futuro

"O segredo do sucesso vai ser montar o orçamento sem considerar a transferência de jogador. Jogador não é receita garantida", diz Somoggi, que acredita que os clubes montam os orçamentos de forma equivocada, ao incluírem o lucro imprevisto da venda de jogadores.

Em relação aos clubes pesquisados, Somoggi tem no Atlético Paranaense um caso paradigmático. "O presidente deixou muito claro que é importante gerar lucro". Entre 2004 e 2009, o clube acumulou um superávit de R$35,2 milhões, o maior entre os times pesquisados. O problema, no caso do Atlético Paranaense, foram os títulos. "É um desafio manter a responsabilidade financeira ganhando títulos. O Atlético Pararanense não conquistou títulos nesse período".

Além do Atlético Paranaense, também apresentaram superávit nos últimos seis anos o São Paulo, com R$ 35,2 milhões, Internacional, com R$ 7,7 milhões e o São Caetano, com R$ 3,6 milhões. Já nos últimos dois anos, apenas Corinthians e São Paulo fecharam o ano no azul.

Fonte: Blog do Nassif

Flávio Dino reúne ex-candidatos, dirigentes partidários e militancia em evento político de confraternização



Recebo e-mail do Deputado Federal e ex-candidato ao governo Flávio Dino convidando para a Plenária Estadual O MARANHÃO É DE TODOS NÓS.

O evento ocorre no dia 11/12, às 9 horas, no auditório do Quality Grand Hotel São Luís(antigo Hotel Vila Rica, na Praça Pedro II, Centro de São Luís).

Presentes os candidatos, dirigentes partidários do PCdoB, PSB, PPS e PT e ainda lideranças sindicais e populares.

"A sua presença é muito importante para mantermos acesa a chama da renovação e da mudança.", convida o Deputado.


Data: 11 de dezembro de 2010

Horário: 09 às 12 horas

Local: Quality Grand Hotel São Luís(antigo Hotel Vila Rica, na Praça Pedro II, Centro de São Luís)

4 de dezembro de 2010

Tarde de Sábado com poesia exposta


Meus Filhos, João Victor e Bruno Porto Ramalho









Do filho

Meu filho
É mais que eu mesmo
Sou eu e ele
Em um só tempo,
E carinho,
E querer ficar perto.
Por ser assim
Querer ser apenas um
Mas um ‘nós’
Extrapolados
Ele e eu
Paralelos únicos
De imbricada existência
Meu filho
É poema de uma vida
Evolução da felicidade do poeta
Meu filho
Meu amigo estufado
Meu amor de vida amparado
Vida que vira e mexe
Quer transformar saudade em poesia
Fazer-se uma coisa só
Meu filho e eu
Nós
Estéticas da felicidade

17 de Julho de 2007
Marden Ramalho

Do Portal Vermelho: 'WikiLeaks: existe liberdade de imprensa na internet?'



Reproduzo editorial do Portal de Notícias 'Vermelho' que trata das recentes revelações feitas pelo sítio Wikileaks sobre os sujos serviços de espionagem dos Estados Unidos da América contra centenas de países.

Boa Leitura!

O caso, para usar uma linguagem forense, do governo dos Estados Unidos contra o portal WikiLeaks é ilustrativo sobre a maneira como as autoridades do país mais poderoso do planeta entendem liberdade de imprensa e democracia e mostra que está longe o tempo em que o aristocrata francês Alexis de Tocqueville pôde escrever, sobre a então grande democracia do norte: “a liberdade de imprensa é uma consequência necessária da soberania do povo como ela é compreendida na América” (em A democracia na América, de 1835).

A realidade mostra que não é mais, e o que se impõe são os interesses do governo e das grandes empresas multinacionais, entre elas – evidentemente – os grandes monopólios da mídia.

O portal WikiLeaks se tornou famoso por divulgar lotes de documentos secretos do governo dos EUA, primeiro sobre a agressão no Oriente Médio e, agora, desvendando a arrogância e prepotência da diplomacia dirigida por Hillary Clinton. A reação do governo de Washington foi pressionar as empresas que disponibilizam servidores (os grandes computadores que alojam os portais da internet), uma reação de força típica de governos cujas ações negativas acabam escancaradas, revelando as reais ações, avaliações e intenções que movem sua ação diplomática.

O linguista Noam Chomsky, um veterano militante da causa da paz, diz que a diplomacia dos EUA não é honesta nem confiável, avaliação que foi plenamente demonstrada pela montanha de telegramas divulgados pelo WikiLeaks.

Esta escassa confiabilidade anda junto com a hipocrisia. No começo deste ano, quando o portal de buscas Google entrou em conflito com o governo da China ao infringir as leis desta nação, a secretária de Estado Hillary Clinton parecia indignada quando pregava a plena liberdade da internet em todo o mundo.

As medidas tomadas nesta semana, quando o portal Amazon aceitou desligar a WikiLeaks de seus computadores por pressões de Washington, não deixam dúvida quanto a isso. Há outra frase histórica que ajuda a entender o caso e as limitações à liberdade de imprensa. O pensador Benjamin Franklin, que viveu no século 18 e foi um dos pais da independência dos EUA, disse certa vez, com ironia: “a liberdade de imprensa é a liberdade de quem tem uma” (em inglês, a palavra – press – designa imprensa e também a máquina usada para imprimir, a prensa).

É nos EUA que estão localizados os principais servidores da internet (computadores hospedeiros dos portais de todo o gênero que existem na rede). Usando a “liberdade de imprensa” no sentido restritivo indicado por Benjamin Franklin, o governo de Washington confirma ser uma ameaça para a livre manifestação do pensamento e para a liberdade de publicação em todo o mundo. Subordinar publicações na internet a seus interesses geopolíticos e para ocultar seus segredos de Estado passa a ser uma nova modalidade de ameaça à democracia sediada nos EUA e que se junta às outras que, de lá, infelicitam o mundo – como as agressões militares, pressões econômicas, restrições políticas etc.

Comentando o atentado à liberdade de imprensa cometido nesta semana por Washington, Chomsky observou que sua “mais dramática revelação é o amargo ódio à democracia que tanto o governo dos EUA - Hillary Clinton e outros – como o serviço diplomático demonstram”.

A liberdade de imprensa é uma conquista da democracia moderna. É um princípio que precisa ser defendido pelos trabalhadores e pelos democratas de todas as partes. Nas condições atuais, uma enorme restrição a ela é o domínio da mídia por grandes monopólios, que enredam jornais, revistas, rádio e televisão numa espúria teia de interesses que enlaça governos conservadores e os interesses do grande capital e transformam suas publicações em instrumentos de manipulação política.

Onde estão os “campeões” da liberdade de imprensa quando o governo de Washingon investe contra a difusão de documentos incômodos? Esses mesmos “campeões”, quando se trata de governos como os de Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Lula ou a candidata Dilma Rousseff, são implacáveis defensores da divulgação de qualquer segredo, mesmo aqueles inventados pela própria conspiração midiática. E, quando estes governos se defendem das mentiras e calúnias veiculadas pela mídia patronal, são acusados de ameaçar a liberdade de imprensa. Onde está a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) e sua afetada indignação quando a restrição à publicação de documentos parte de Washington?

A novidade até agora era a internet, encarada como um campo de disputa livre e democrática. A censura dos EUA contra a WikiLeaks mostra como isso também é relativo: o espaço da liberdade na rede mundial é aquele que caminha junto aos seus interesses, ou pelo menos não os confronta diretamente de forma global. O espaço da liberdade, na rede, é aquele da militância contra nações e governos que não rezam pela cartilha de Washington. Mas aí daquele que confronta os interesses da principal potência imperialista – a “liberdade” é trocada pelo uso da força, da coerção, da calúnia. Da destruição das condições materiais para a difusão de ideias, publicações e documentos incômodos.

Fonte: www.vermelho.org.br

3 de dezembro de 2010

Lula pode indicar oficialmente novo Ministro do Supremo



O presidente Lula bateu o martelo: seu xará Luís Inácio Adams será o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Atual advogado-geral da União, Adams já foi procurador-geral da Fazenda Nacional.

Ocupa a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Eros Grau.

O não preenchimento dessa vaga é que levou o STF ao empate na votação dos processos do Ficha Limpa, como os que resultaram na cassação do registro da candidatura de Joaquim Roriz (PSC) ao governo de Brasília, e de Jader Barbalho (PMDB) ao Senado pelo Pará.

Fonte:ig

Fundação Maurício Grabóis Lança DVD com Documentário sobre Guerrilha do Araguaia. Depoimentos e imagens são impressionantes.



A Fundação Maurício Grabois acaba de lançar o documentário “Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro”, que resgata a mais importante resistência armada ao regime militar. O filme traz depoimentos de pessoas que foram vítimas da truculência da ditadura e hoje lutam para que o Estado reconheça plenamente os crimes cometidos.

O episódio, protagonizado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), é uma das marcas das lutas populares que estão gravadas na história do Brasil de forma indelével. Não se trata de episódio passageiro, um mero choque de paradoxos decorrente de visões conjunturais.

Havia ali, condensados, dois veios cujas nascentes remontam aos primórdios de nossa existência como nação. Pode-se dizer que o ocorrido no Araguaia foi uma etapa do fio da história da qual participou a Inconfidência Mineira com sua clareza de objetivos; a conspiração dos Alfaiates, na Bahia, que nos legou quatro mártires da forca; Canudos e Contestado, revoltas populares impiedosamente esmagadas. Essa lógica repressiva demonstra mais do que qualquer palavra a importância desses movimentos. Os repressores sabiam perfeitamente o que faziam — ao punir com rigor os revoltosos tinham consciência do que estava em questão.

A truculência do Estado no Sul do Estado do Pará — o local dos combates — e na base de apoio à Guerrilha em São Paulo e no Rio de Janeiro — onde foram assassinados Carlos Danielli, Luiz Guilhardini, Lincoln Oest e Lincoln Bicalho Roque — mostra que havia uma decisão criminosa deliberada com a finalidade de defender os interesses poderosos que manipulavam a ditadura. Os criminosos se apartaram da tradição das Forças Armadas para dar um banho de sangue e estancar a marcha progressista no país.

O documentário “Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro” mostra que os guerrilheiros contavam com amplo apoio popular. Os que cometeram crimes durante o regime discricionário, portanto, estavam contra o povo. Contra a própria história das Forças Armadas, que não formam algo à parte na sociedade nem tampouco em relação ao poder político. Se nas duas décadas pós-1964 a função principal das instituições militares foi a de executar o serviço sujo determinado pelos altos interesses econômicos que estavam em jogo, no movimento abolicionista o Exército desempenhou um papel sumamente importante ao recusar-se a caçar escravos fugidos.

Ideal

Aquela decisão da oficialidade do Exército foi uma verdadeira insubordinação, mas foi sobretudo uma atitude digna — essencialmente progressista. E se podemos buscar características para as Forças Armadas do Brasil, principalmente do Exército, ela é precisamente esta: militância política. Se alguns altos mandatários militares ao longo da história procuraram fazer a política das oligarquias, o mesmo não se pode dizer da massa do Exército.

Em todos os movimentos revolucionários do nosso país, das fileiras das Forças Armadas surgiram personagens que são verdadeiras legendas das lutas populares. Maurício Grabois, o principal comandante da Guerrilha do Araguaia, por exemplo, tem origem militar. Assim como Tiradentes, Pedro Ivo e Luiz Carlos Prestes — para lembrar alguns. A luta dos guerrilheiros do Sul do Pará e dos demais democratas que deram a vida pela ideal democrático continua hoje por outros meios. É, a rigor, a mesma luta de Tiradentes, Frei Caneca, Cipriano Barata e tantos outros valentes que tinham um ideal político muito bem definido. O documentário é um registro fundamental sobre a ligação desse ideal com a luta do povo brasileiro.

Serviço:
Camponeses do Araguaia - a Guerrilha vista por dentro
O documentário pode ser adquirido na Fundação Maurício Grabois ou na Editora Anita Garibaldi pelo preço de R$ 10,00.
Acima de 20 unidades, desconto de 30%.
E-mail: fmg@fmauriciograbois.org.br
Fonte: (11) 3337.1578

Editora Anita Garibaldi:

Rua Amaral Gurgel, 447 - conjunto 31 - Vila Buarque - CEP 01221-001 - São Paulo/SP.
Telefone/Fax: (11) 3129.3438

Fonte: www.grabois.org.br

1 de dezembro de 2010

SINPROESEMMA e educadores participam de ações no Dia Mundial de Luta contra a Aids


Campanha lançada pelo SINPROESEMMA no Dia Mundial de Combate a AIDS








O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) participa nesta quarta-feira (1º), Dia Mundial de Luta contra a Aids, das atividades que serão desenvolvidas em várias escolas de São Luís, para marcar a data, como palestras, passeatas, distribuição de preservativos e de panfletos com informações sobre DST e Aids e os métodos de prevenção das doenças.

O dia 1º de dezembro, é a data instituída pelas Nações Unidas para reforçar o compromisso de governos e sociedade sobre as questões que envolvem o viver com o HIV e as ações preventivas para não contraí-lo.

Estima-se que 630 mil pessoas estejam infectadas pelo HIV no Brasil. No Maranhão, em apenas oito anos o número de casos quase triplicou. De 1991 a 2000 foram registrados 1.645 ocorrências, enquanto de 2001 a 2009, o número subiu para 4.353. Atualmente, já foram registrados casos da doença em 166 municípios do Maranhão. As cidades que apresentam maior índice da doença, até 2008, foram São Luís (2.067 casos), Imperatriz (575), São José de Ribamar (112), Caxias (83) e Bacabal (60).

Após duas décadas de ações preventivas e de luta contra a discriminação aos portadores do vírus, é preciso retomar o debate, principalmente, entre os jovens. Eles são apontados como uma das faixas em que mais cresce o contágio devido à precocidade da iniciação sexual somada à falta de informação segura.

Por isso, o Sinpro (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão), filiado à CNTE, tem feito esforço junto à categoria para que ela some esforço com o objetivo de conscientizar que o melhor remédio contra as DST/Aids é a prevenção, mas que o portador do HIV merece respeito. O Sindicato também atua cobrando ampliação nas políticas públicas de combate às DST/Aids.

Fonte:www.sinproesemma.com.br

Blog da Dilma lança o troféu Jornalista Fuleiro 2010



De maneira irreverente e incrível leio no Blog da Dilma o lançamento do Troféu Carlos Lacerda. O intuito é eleger o 'Jornalista Fuleiro 2010', em 'homenagem' ao mais fuleiro de todos na história da república, Carlos Lacerda.

Para votar é só ir direto no Blog e postar comentário ou ainda mandar e-mail para blogdadilma13@gmail.com.

Veja a lista dos premiáveis: Arnaldo Jabor, Augusto Nunes, Casal 20 do Jornal Nacional, Diogo Mainardi, Noblat, Eliane Cantanhêde, José Nêumanne Pinto, Miriam Leitão, Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Carlos Alberto Sardenberg, Cristina Lobo, Lucia Hippolito, Luiz Carlos Prates.

Arrisca?

30 de novembro de 2010

"370 mil bebês nascem com o vírus HIV por ano.", denuncia Unicef



Brasília – É possível uma geração de crianças viver sem o vírus HIV se a comunidade internacional intensificar os esforços para o acesso universal à prevenção e ao tratamento contra a doença. É o que aponta relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado hoje (30), em Nova York, véspera do Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

Segundo a Unicef, apesar dos avanços dos programas antiaids, milhões de crianças e mulheres ainda são excluídos dessas ações por causa de questões de gênero, da condição econômica, da localização geográfica, do nível educacional e do status social.

A cada ano, no mundo, cerca de 370 mil bebês nascem com o vírus HIV transmitido pela mãe, sendo a maioria na África. A aids é a principal causa de morte de mulheres em idade fértil no mundo e uma das responsáveis pela mortalidade materna nos países com epidemia de aids, de acordo com a Unicef. Na África Subsaariana, 9% da mortalidade materna são atribuídos à doença.

O relatório constatou que 53% das grávidas com o vírus HIV tomaram antirretrovirais para prevenir a transmissão vertical (de mãe para o feto) em 2009. Em 2008, esse índice foi de 45%. O acesso aos remédios cresceu no Leste e no Sul da África, onde o percentual de acesso subiu de 58%, em 2008, para 68%, em 2009.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou, este ano, novas orientações para o tratamento de gestantes e crianças portadoras do vírus, com o intuito de ampliar o acesso aos antirretrovirais a esses grupos.

Edição: Lana Cristina
Fonte: Agencia Brasil

Coreia do Sul cancela exercícios militares, mas se mantém hostil



A Coreia do Sul cancelou exercícios militares na Ilha de Yeonpyeong, a mesma que foi atacada pelo exército norte-coreano, sob alegação de resposta a ataques que teriam sido iniciados pela Coreia do Sul. A atividade do exército sul-coreano em Yeonpyeong estava prevista para ocorrer nesta terça-feira (30) de manhã. Os moradores haviam recebido a recomendação de se protegerem em abrigos subterrâneos.

Segundo diplomatas sul-coreanos, a decisão não tem a ver com a Coreia do Norte, o que refuta a teoria de que eles estejam renunciando ao confronto com a vizinha. Pelo contrário. O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, fez, nesta segunda-feira (29), o seu primeiro pronunciamento à nação desde os ataques norte-coreanos. Ele se responsabilizou ao dizer que não foi capaz de proteger seus cidadãos. Diante de pressões internacionais e internas, Lee também prometeu duras consequências para o caso de qualquer agressão futura.

"Se o Norte cometer alguma provocação contra o Sul, nós faremos questão de fazer com que pague um preço alto por isso", afirmou Lee Myung-bak, em postura coerente com a adotada nos últimos dias, em que a Coreia do Sul vem recebendo incentivo e suporte dos Estados Unidos para responder de forma "adequada" a possíveis ataques norte-coreanos.

Detalhes sobre quais serão as "consequências" ou qual será o "preço alto" não foram fornecidos pelo presidente sul-coreano. Não houve também explicações sobre qual será a resposta da Coreia do Sul sobre o recente bombardeio.

EUA cobram postura agressiva

Um dia após a troca de tiros entre as duas Coreias, que ocorreu na última terça-feira (23), os Estados Unidos e a Coreia do Sul definiram, já na quarta-feira (24), a realização, no domingo (28), de manobras militares, em nova provocação à Coreia do Norte. Na mesma quarta-feira (24), o ministro de Relações Externas da China pediu calma e precaução aos coreanos e solicitou aos governos dos dois países que iniciassem conversações para evitar incidentes similares.

Na quinta-feira (25), a Coreia do Sul anunciou que adotaria as “medidas necessárias” para “reforçar a segurança nacional” e reagir com mais firmeza no conflito com a Coreia do Norte. Nessa linha - que descarta o diálogo direto -, os Estados Unidos mandaram um de seus mais poderosos porta-aviões para manobras conjuntas com os sul-coreanos, levando a China novamente a externar preocupação.

As autoridades sul-coreanas estão sendo pressionadas a respeito de uma resposta "adequada" em relação à troca de tiros com a República Popular Democrática da Coreia, localizada ao norte da península. Ainda na semana passada, como forma de aliviar a pressão, o governo da Coreia do Sul trocou seu ministro da Defesa, reforçou suas tropas em Yeonpyeong e outras quatro ilhas do mar Amarelo, além de instituir mudanças em regras militares.

China insiste no diálogo

Apesar da postura agressiva da Coreia do Sul, incentivada e subsidiada pelos Estados Unidos, a China insiste em uma consultas de urgência para reduzir a tensão na península coreana, e espera uma "reação positiva" à proposta, afirmou nesta terça-feira (30) o ministério chinês das Relações Exteriores, apesar da oferta ter sido rejeitada por Estados Unidos e Coreia do Sul.

"Acreditamos que as partes envolvidas vão levar a sério esta proposta e reagir positivamente", declarou o porta-voz do ministério, Hong Lei, que qualificou a reunião de "imperativa".

No domingo, a China propôs aos interlocutores uma reunião de emergência do grupo dos Seis na China, no início de dezembro, para tentar acalmar a situação, muito tensa desde o bombardeio de uma ilha sul-coreana pela Coreia do Norte.

O governo dos Estados Unidos rejeitou a proposta e afirmou que o encontro seria uma "operação de relações públicas" para a Coreia do Norte. A Coreia do Sul também recusou a oferta, enquanto o Japão se mostrou reticente. O grupo dos Seis inclui Estados Unidos, Rússia, China, Japão e as duas Coreias.

Da redação, Luana Bonone, com informações do Diário do Nordeste e AFP

29 de novembro de 2010

“Meu pai sempre me disse: ‘Política não é profissão. Não viva de mandato, não se apegue a mandato’.", diz Flávio Dino



Encarar a derrota como vitória política faz parte do jogo. É o que pensa o deputado Flávio Dino (PCdoB-MA). Depois de sofrer o segundo revés eleitoral consecutivo, ele diz que termina o ano “feliz e sem dívidas”. A “travessia do deserto”, como define o período sem mandato, não assusta. “O importante para mim era manter a trajetória de acúmulo”, avalia.

“Na primeira eleição que disputei (em 2006, para deputado federal), tive 126 mil votos. No primeiro turno de 2008 (quando disputou a Prefeitura de São Luís), tive 169 mil. No segundo turno (de 2008), tive 215 mil e agora, 860 mil votos. Foi um prejuízo agora para recuperar adiante. É o que diz a sabedoria popular: dar um passo pra trás pra dar dois pra frente”, ensina.

Dino disputou as eleições para o governo do Maranhão e teve como principal adversária a governadora Roseana Sarney (PMDB), que se reelegeu com uma margem apertada de votos: 50,08%. Por muito pouco, a disputa não foi ao segundo turno. Mas a “ressaca eleitoral”, conta o deputado, “passou em 24 horas”.

Os próximos passos já estão traçados: disputar a prefeitura da capital maranhense em 2012. Até lá, voltará a dar aulas na Universidade Federal do Maranhão e a advogar. Dino também preside o partido no estado e faz parte da Executiva Nacional do PCdoB, o que lhe garante "inserção política".

“Meu pai sempre me disse: ‘Política não é profissão. Não viva de mandato, não se apegue a mandato’. Tanto é que ele nunca ‘permitiu’ que eu fosse candidato antes de construir uma trajetória profissional. Não tenho esse impacto de ‘e agora, o que eu faço da vida?’ Não sou um político profissional”, diz.

Fonte: Portal AZ

Alquimar Guterres, um dos reorganizadores do PCdoB no Maranhão, nos anos 60, recebe Prêmio José Augusto Mochel



A entrega do Prêmio Joaquim Mochel acontece daqui a pouco, a partir das 18 horas, no auditório do Quality Hotel Grand São Luís, antigo Hotel Vila Rica, centro histórico de São Luís. Esta será a 4ª Edição do Prêmio e vai homenagear militantes e personalidades da vida pública maranhense.

Na lista de homenageados está o membro do Comitê Central do PCdoB e hoje Presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima; José dos Santos, o Mestrinho; a Assistente Social aposentada, Zezé Costa; o Professor Marlon Reis; o Professor-Dr. Francisco Gonçalves, da UFMA; a FETAEMA, e ainda duas homenagens ‘post morten’, a Magno Cruz (SMDDH-MA) e Alquimar Guterres.

Todos os homenageados são merecedores do Prêmio.

Mas destaco aqui, Alquimar Guterres, pai do professor Júlio Guterres. Alquimar, era de linha marxista-leninist e foi um dos reorganizadores do PCdoB no Maranhão nos anos 60. Atuou em várias regiões do estado, contribuindo, por exemplo, com a organização dos camponeses maranhenses, em função da diretriz nacional adotada pelo Partido na ação tática para a atuação no interior do Brasil.

Alquimar também teve destacada atuação em São Luís, após chegar à cidade com a família, vindo de Caxias/MA. Ali, Alquimar já sentia os odores pútridos da perseguição política realizada por gente conservadora com vínculos com a ditadura militar. Alquimar agiu ao lado de dirigentes comunistas como Rogerio Lustosa, Antonio Campos e o próprio Mochel.

Sem dúvida, grande homenagem.

28 de novembro de 2010

Domingão com poesia exposta

















Gestação

Palavra parida
Palavra ferida
Inserida
Erguida
Agora
Escrita
Pelo homem
Que cria
E recria
A chama que grita
E respira
Na noite fria
Poeta agita
Risca
Rabisca
Arrisca um palpite
Que permite revelar
Toda a palavra
Agora vivida
No limite
De seu fim
P
R
O
C
E
S
S
U
A
L


Marden Ramalho
Junho de 1997

27 de novembro de 2010

Noite de sábado com poesia exposta















Foto:Vitória de Samotracia, deusa grega da vitória

Gesto inacabado de um canto de amor que chega

Eterno conflito entre contrários inabitáveis
Hoje estala no peito
Com inarredável existência viva
Atracado em porto de sol que escalda

Ofusca-me luz que banha palavras
Cúmplices de redemoinhos maiores
Nesse instante
Desconheço-os em suas totalidades

Alhures,
Alçá-los-ei como vela
E navegarei pelos arrabaldes do amor teu

Não quero encontrar pontos perdidos
Quero que o surdo cadencie o tempo comigo
Para que o amor dedilhe os versos que agora se entrelaçam
À diacronia sincrônica do canto que chega

Quero soprá-los
Como intempéries em rodopios e dialetos de querer
Pois, vejo-te assim, como imagem
Que anuncia a catarse do verbo
E o prenúncio da saudade do poeta pelo futuro

Desmonto nossos segredos incipientes
Caídos outrora no manto de chuvosa noite

Minha caneta agora é mastro de barco
Que nos levará
Ao centro do universo das possibilidades.

II
Ah, inacabado canto
Aproxima-te tanto
Que tuas portas escancaram-se
Para a chuva d’alvorada que chega

Chuva que dilacera a dúvida
E faz poeta repensar poemas
Que reinam em silencio
Nos desejos libertinos da ‘mundanagem’ literária

Sou elo vivo de um ser presente
Que salta à frente de tudo
E cinge-se a ti
E às tuas loucas conexões de amor
Dá-se o assim o poema
Num arco de infinitas e raras luminárias de palavras

Reclamo o encanto efusivo da mulher
Sôfrego, inquieto
E sutil como o sol
Em dia de poesia exposta
Ao cheiro que encharca o quarto
Cheiro teu
Cheiro meu
Cheiro nosso

Apago a luz

Inacabo o poema
Pois inacabado é o tempo

Marden Ramalho
Outubro de 1999

26 de novembro de 2010

"Problema crônico da violência no Rio não passa exclusivamente por uma ação militar", afirma sociólogo à Terra Magazine



Com mais uma explosão de violência na capital do estado do Rio de Janeiro, até o momento só as balas e metralhadoras e tanques tomam conta do espaço midiático. Mas como diria meu amigo Oswaldo Bertolino, e 'o outro lado da notícia'?

veja abaixo enrevista interessante e atualíssima sobre o tema.

Ana Cláudia Barros, na Terra Magazine

A principal fonte de circulação do dinheiro do crime-negócio no Rio de Janeiro não está na venda de drogas, mas no comércio de armas. A explicação é do sociólogo Dario Sousa e Silva, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Uerj. Na quinta-feira (25), durante a ocupação da Vila Cruzeiro - uma das favelas mais violentas do Rio -, pela polícia, uma imagem chamou a atenção: a fuga de centenas de criminosos carregando fuzis.

Sousa destaca que tanta reação à política das Unidades de Policía Pacificadora (UPPs), apontada pela Secretaria de Segurança fluminense como uma das justificativas para a onda de ataques, tem motivo. Segundo ele, as UPPS não se resumem apenas à ocupação territorial, "mas a uma tentativa de bloquear essa série de outras atividades ligadas ao tráfico de drogas, das quais o tráfico depende".

- Se não há a venda de drogas, que determina uma série de outras dinâmicas, e se não há confronto entre as diferentes quadrilhas, não há demanda por arma nova. Então, o advento da UPP interrompe uma série de outras atividades ilegais que participam do crime-negócio.

E acrescenta:

- O lucro obtido através da venda de armas só acontece se há combate entre as facções. Para o traficante de armas, que, frequentemente, é o mesmo fornecedor de drogas,interessa que existam diferentes facções que se digladiem - afirma, dizendo achar improvável que os rivais Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos(ADA) articulem uma ação conjunta, conforme vem sendo aventado.

Na análise do sociólogo, a solução para o problema crônico da violência no Rio não passa exclusivamente por uma ação militar.

- A população não pode deixar se enganar por uma possível compreensão de que a favela é o lugar do crime, da falta de ordem, é um lugar que não precisa ou merece ser integrado à vida cidadã e coletiva. É importante que ela esteja ao lado das forças da ordem, das forças da inclusão. Esse é um momento em que tradicionalmente a gente põe para fora os nossos maiores medos e preconceitos. Essa solução só se resolve se superamos esses preconceitos. Seja o preconceito do policial em relação ao morador que ele está atendendo, seja o preconceito daqueles que agora estão encolhidos em suas casas com medo de retomarem suas rotinas nas ruas, seja o preconceito do morador que vive na comunidade em relação ao resto da cidade. O importante é que o Rio de Janeiro costure a cidade partida.

Confira a entrevista.

Terra Magazine - O governo do Rio de Janeiro afirma que as ações criminosas são reação à política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das Unidades de Polícia Pacificadora. Fala-se ainda que os episódios de violência seriam motivados pela transferência de líderes do tráfico de drogas para presídios fora do Rio de Janeiro. São, na sua avaliação, explicações plausíveis? Haveria outras motivações?
Dário Sousa e Silva - É plausível, sim, mas não pode ser resumida só a essas duas medidas. A principal fonte de circulação do dinheiro do crime-negócio no Brasil e no Rio de Janeiro, claro, não está na venda de drogas, mas no comércio de armas. O Rio não está na rota internacional do grande tráfico. Ele é um ponto de passagem da droga, que, em parte é produzida no Nordeste, no caso da maconha, e sua grande maioria vem do interior da América do Sul, através do Paraguai, Mato Grosso, São Paulo e toda aquela linha que foi paralisada pelo Primeiro Comando da Capital. Então, esta é a rota do tráfico de drogas. O Brasil e o Rio são muito mais consumidores do que pontos de grande distribuição de drogas.

Você menciona o tráfico de armas. Quem estaria articulando isso? São os próprios traficantes de drogas? Há sempre associado às drogas uma série de outras atividades ilegais, como a gente tem acompanhado pelos próprios noticiários. O jogo, a prostituição, a cobrança ilegal de tarifas sobre o gás, transportes alternativos. Então, na verdade, o crime-negócio é uma rede que não se resume a apenas aquele ganho com o tráfico de drogas. Uma dinâmica que é interrompida pelo fenômeno dessa política das UPPS. Dessa forma, essa dinâmica não consegue se fechar, se articular. O lucro obtido através da venda de armas só acontece se há combate entre as facções. Para o traficante de armas, que, frequentemente, é o mesmo fornecedor de drogas, interessa que existam diferentes facções que se digladiem.

Se não há a venda de drogas, que determina uma série de outras dinâmicas, mas que não se resume à venda de drogas, e se não há confronto entre as diferentes quadrilhas, não há demanda por arma nova. Então, o advento da UPP interrompe uma série de outras atividades ilegais que participam do crime-negócio. A questão da UPP não se resume a apenas ocupação territorial, mas a uma tentativa de bloquear essa série de outras atividades ligadas ao tráfico de drogas, das quais o tráfico depende.
Há um dado muito significativo nisso. As indústrias russas que produzem AK-47 nunca produziram tanto em tempos de paz. Estes fuzis não estão sendo usados para guerra do Iraque ou do Afeganistão, mas usados nos conflitos na África, no Haiti e nos conflitos gerados pelo crime-negócio na América do Sul. Os atravessadores são ilegais, mas a produção legal dessas armas na Rússia tem aumentando muitíssimo. E não se vive mais o período da Guerra Fria. Acho isso bastante significativo.

E quanto à transferência de presos?

Um outro fator importante, que pode estar associado à essa reação (dos criminosos), é a questão das transferências de presos que ainda comandam algumas comunidades. Imagina que os grandes conflitos recentes havidos dentro das quadrilhas têm decorrido de divergências entre lideranças presas e lideranças soltas que atuam nas comunidades. Essa explicação oficial é plausível, porque a transferência de presos os isola e quebra essa linha de comando das quadrilhas.
Um outro fenômeno que pode estar associado a isso, como eu dizia, é que, recentemente, a Secretaria de Segurança e outros órgãos governamentais divulgaram a suspeita e os processos que estão sendo desenvolvidos no sentido de mapear os bens dessas lideranças encarceradas e que estariam sendo administrados por seus parentes ou os chamados laranjas.Essas lideranças presas têm dinheiro acumulado. O dinheiro está sendo escasso para aquele que está solto na favela. Pode ser uma tentativa desse comando de forçar uma pretensa negociação por parte das forças de segurança pública, temendo que seus subordinados rapinem seus bens que estão disponíveis.

A Secretaria de Seguraça identificou que os ataques estão sendo promovidos pelas facções Amigos dos Amigos (ADA) e por Comando Vermelho (CV). São duas facções tradicionalmente rivais. Como o senhor avalia esta articulação? É possível que haja ordens dos líderes de cada facção, mas o resultado disso tem sido de fato, e também é de reconhecimento da Secretaria de Segurança, que essas ações são muito desarticuladas, não seguem nenhum padrão. Elas estão ocorrendo em diferentes áreas justamente para criar na população esse clima de insegurança e, talvez, a ideia de que potencialmente seria melhor tirar as UPPs das favelas, porque "o lugar do tráfico é em cima do morro e não queimando carro na rua". Na verdade há uma pressão para a politização do problema e para tentar forçar uma opinião pública amedrontada a uma atitude que lhes seria favorável. Agora, no que se refere a uma ação tática, uma ação armada, coordenada por diferentes comandos, é muitíssimo difícil.

Por quê?É preciso ver a própria origem desses comandos. Tradicionalmente, havia o Comando Vermelho, o Terceiro Comando, o ADA. Agora, há, pelo menos, mais dois comandos no Rio: o Comando Vermelho Jovem e o Terceiro Comando Puro (TCP). Esses novos comandos que apareceram derivaram das divergências entre as lideranças aprisionadas e as lideranças fora das cadeias. Então, imagine o seguinte: você é traficante e provavelmente um companheiro seu foi morto por outra quadrilha e jogado como comida aos porcos. Uma semana depois, você vai estar lutando ao lado desses? É muito pouco plausível.
Essa unificação requereria um nível de racionalidade desses agentes que eles absolutamente não têm, mas não têm por falta de capacidade intelectual. Não têm porque isso não é sua prática, não é a maneira como eles se colocam nesses confrontos. São confrontos muito brutais, sem meias medidas, sempre muito contundentes. Essas pessoas não lutam lado a lado de uma hora para outra.

Então, o mais provável é que os ataques sejam promovidos pelas facções, mas não sejam orquestrados?É possível que partam ordens para os ataques em cada uma das facções. O que eu digo que daí a supor que haverá uma ação armada, unindo bandidos de facções diferentes, acho muito difícil.
Imagina, entre ADA e Comando Vermelho, a diferença e o enfrentamento é tamanho que eles se mataram há cinco, seis anos nos presídios de Bangu. Agora, é importante que a polícia não respeite a diferença entre eles. Têm que agir igualmente, com contundência, seja qual for a facção criminosa. Não se pode negociar.

Com as UPPS, com esse combate mais efetivo, o tráfico de drogas está sofrendo um duro golpe. Essa resposta do governo estadual de intensificar as operações é uma resposta apropriada? E as milícias não podem sair favorecidas?
Muito dificilmente, porque, acima da intensidade e da quantidade de armamento, um recurso político importante é o tempo de resposta. E, nesse ponto, o governo leva vantagem, porque apresentou uma resposta imediata. Isso ganha a população do ponto de vista da confiança que passa a ser depositada em que a agência legal de segurança é poderosa o suficente para manter a ordem. As milícias ganham espaço à medida em que essas áreas periféricas da cidade estão desprovidas de serviços e de atenções governamentais. Recentemente, toda essa periferia deseja ter uma UPP, porque, junto com essa UPP vêm projetos sociais,vêm recursos de cidadania, vêm a valorização daquela região.

Mas as UPPS estão longe de ser unanimidade. Há comunidades, como a do Morro Santa Marta, que reclamam da truculência policial. Inclusive, foi feita lá até uma cartilha sobre como se defender da violência da polícia.É importante que haja a visibilidade desses problemas, porque essa é uma experiência muito recente. Imagina que o policial militar, além de suas atribuições, precisa se requalificar para agir. Há uma mudança na própria cultura da corporação policial no sentido de que outras atribuições são necessárias para esse profissional. Pense também do ponto de vista do imaginário do policial militar, aquela área, que para ele representava risco de morrer, agora é o seu local de trabalho. Aquela população que ele possivelmente antipatizava, porque identificava, às vezes preconceituosamente, que era colaboradora do bandido, agora é a que ele tem que servir. Então, existe um período de adaptação muito tenso, muito delicado, mas cuja experiência vale a pena ser encampada. O importante é que se há problemas na operação das UPPs, esses problemas estão visíveis. Há pouco tempo, o que acontecia no morro ficava no morro.

O problema da segurança pública no Rio é altamente complexo e crônico. É possível reverter essa situação? Estou falando em mudanças a longo prazo. As soluções que têm sido encontradas são as mais adequadas?Esta evidentemente é uma pergunta muito pertinente. A gente vê que há um emaranhado de causas, de condicionantes, de variáveis a serem atendidas. O importante é que a opinião pública, os órgão de imprensa, os intelectuais já estão convencidos de que a solução não é exclusivamente uma ação militar. Ela opera em diferentes áreas, como no combate à corrupção, como na politização dos problemas. Essa mudança de cenário pode ser significativa, não completa, em um prazo mais curto. Menos de 10 anos, imagino.
Essa pergunta que você me fez se a situação crônica do Rio pode se reverter é uma pergunta que provavelmente as autoridades de Chicago e a imprensa dos anos 30 podem ter se feito, numa época em que o caos se implantou, parecendo que o crime era, de fato, quem mandava naquele espaço. E essa situação efetivamente pôde ser revertida. A experiência colombiana também com grandes recuperações de trajetória pode ser uma referência significativa para nós. O importante é que a solução não se resume à ocupação territorial nem à ação armada.

A solução passa por onde?A população não pode deixar se enganar por uma possível compreensão de que a favela é o lugar do crime, da falta de ordem, é um lugar que não precisa ou merece ser integrado à vida cidadã e coletiva. É importante que ela esteja ao lado das forças da ordem, das forças da inclusão. Esse é um momento em que tradicionalmente a gente põe para fora os nossos maiores medos e preconceitos. Essa solução só se resolve se superamos esses preconceitos. Seja o preconceito do policial em relação ao morador que ele está atendendo, seja o preconceito daqueles que agora estão encolhidos em suas casas com medo de retomarem suas rotinas nas ruas, seja o preconceito do morador que vive na comunidade em relação ao resto da cidade. O importante é que o Rio de Janeiro costure a cidade partida

Fonte: Terra Magazine e Blog Outro Lado da Notícia